Estilo de vida

Esqueça o mito de que menopausa significa o fim do desejo sexual

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Em um relacionamento cheio de mágoas, não será a reposição hormonal que trará a libido de volta Imagem: Getty Images

Adriana Nogueira

Do UOL

01/11/2017 04h00

O início da menopausa, marcado pelo fim da menstruação, também tem impacto na vida sexual da mulher. Mas não é uma sentença de morte para o desejo feminino, não. A vontade de transar depende de fatores hormonais, influenciados por essa fase, mas tem muito a ver com a qualidade do relacionamento entre ela e o parceiro (ou parceiros), segundo o ginecologista Alessandro Scapinelli, que é membro da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo) e Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

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A psiquiatra Carmita Abdo, fundadora e coordenadora do ProSex (Projeto Sexualidade) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, conta que elementos emocionais podem minimizar a falta de estrogênio (hormônio feminino) e a diminuição da testosterona (hormônio com ação direta sobre a libido, que diminui, mas não para de ser produzido).

“Há quem chegue na menopausa com mais vontade de fazer sexo. Algumas estão separadas e iniciando um novo relacionamento, o que funciona como estímulo. Outras estão em relações satisfatórias e ficam mais interessadas em sexo, por não terem mais de se preocuparem se vão engravidar”, fala Carmita.

Envelhecer x interesse por sexo

Para a ginecologista Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, ambulatório de sexualidade feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), também é um mito que a menopausa signifique diminuição da libido.

“Existe uma questão cultural por trás disso. Espera-se que a mulher, por estar envelhecendo, perca o interesse em fazer sexo”, diz Carolina.

Carmita Abdo fala de dois outros dois fatores, além dos hormônios, que podem causar diminuição do interesse em sexo. O primeiro é o fato de que a menopausa chega em um momento em que a mulher está com a saúde prejudicada em alguma medida. “Uma mulher com diabetes descontrolada vai ter problema de circulação, o que afetará sua capacidade de excitar.”

É comum colocar a culpa na menopausa da mulher pela vida sexual insatisfatória do casal, mas o segundo fator pode ser o próprio parceiro, segundo Carmita. “A saúde sexual do casal deve ser avaliada. O homem pode estar com a saúde descuidada, com problemas que impactem, por exemplo, na qualidade da ereção.”

Apesar de os hormônios sozinhos não poderem ser responsabilizados pela diminuição da libido, os especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o tratamento pode, sim, devolver qualidade de vida à mulher na pós-menopausa.

“Muitas vezes, fazendo a reposição hormonal, a mulher recobra o bem-estar e, consequentemente, a libido também melhora”, diz a ginecologista Carolina Ambrogini.

Reposição hormonal personalizada

Durante um bom tempo temida pela associação com uma maior ocorrência de câncer de mama, sabe-se, hoje, que é possível fazer reposição hormonal com mais segurança.

“O tratamento já foi muito estudado e é recomendado por várias sociedades médicas para mulheres que têm sintomas importantes da menopausa. Mas ele não é para todas, como era feito antigamente”, explica Carolina.

Pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, descompensadas ou com histórico familiar de certos tipos de câncer terão de passar por uma criteriosa avaliação de um médico para saber se podem ou não receber reposição hormonal.

“Existem, hoje, mais de 200 tipos de hormônios possíveis de serem usados, com opções mais ou menos seguras. Além disso, as substâncias têm estruturas mais parecidas com os hormônios naturais”, diz o ginecologista Alessandro Scapinelli.

Carolina Ambrogini fala, no entanto, que, para fazer o tratamento, além de uma avaliação minuciosa do estado geral de saúde, é preciso estar na chamada “janela de oportunidade”. “A reposição tem de acontecer, em média, cinco anos após os inícios dos sintomas da entrada na menopausa.”

Alternativas aos hormônios

Para aquelas que não querem ou têm contraindicação para uso de hormônios, há outras possibilidades para combater os efeitos da baixa hormonal.

“Há os moduladores seletivos do receptor de estrogênio, que têm efeito local. Agem na vagina, tornando a parede mais espessa e melhorando a lubrificação, aspectos afetados quando a mulher para de menstruar e, consequentemente, de produzir estrogênio. Trata-se de uma medicação sem hormônio, que pode ser administrada via oral ou vaginal.”

Ainda para combater a falta de lubrificação da vagina há cremes hidratantes e lubrificantes, para serem usados localmente.

“Mas a reposição hormonal não aumentará a libido de ninguém. Se a mulher não estiver bem, com o parceiro e vida de uma maneira geral, de nada adiantará lubrificar a vagina”, afirma Carmita Abdo.

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