Bichos de estimação

Adoção de cães adultos: essas histórias e vantagens te farão pensar nisso

Isabel Lisboa
Raposa e Palito (de focinho branco) se tornaram parceiros Imagem: Isabel Lisboa

Patrícia Guimarães

Colaboração para o UOL

05/11/2017 04h00

O primeiro encontro do jornalista Maicon Bock com o cão que acabou sendo batizado como Buck aconteceu em uma praça de Porto Alegre durante um passeio que ele fazia com Luke, o cachorro adotado que ele e o marido, Lucas, já tinham em casa. Em princípio, Buck chamou a atenção pelos sinais de maus-tratos e pela semelhança que tinha com Luke. Maicon lembra que, naquele dia, os três brincaram um pouco e ele voltou para casa. Um mês depois, Buck voltou a aparecer e, dessa vez, para ficar.

Maicon Bock
Buck um mês antes de ser adotado, com 7,5 kg Imagem: Maicon Bock

"Em 8 de julho, teve uma festa julina aqui no condomínio e esse cachorro estava procurando o que comer e, de novo, interagimos com ele. A gente ficou ali umas duas horas nessa festa e quando voltou para casa, o cachorro chegou junto. Eu brinco que foi ele que nos escolheu. Várias outras pessoas brincaram com ele, mas quando a gente chegou em casa, ele estava na porta. E aí eu pensei 'vou dar um banho nesse cachorro'. Eu dei o banho, ele ficou bem quietinho, também não estranhou os gatos da casa; brincou com o Luke e foi uma interação muito boa." Depois de tudo isso, Maicon lembra que foi impossível abrir a porta e deixar que o animal fosse embora de novo.

Segundo a estimativa dos veterinários, Buck já tinha em torno de dois anos quando foi adotado. Mesmo sendo um jovem adulto, o animal não causou problemas de adaptação na casa da nova família. Ele se tornou também uma boa companhia para Luke, o cão que chegou antes. "As pessoas que visitam a gente dizem que parece que o Buck está aqui desde sempre. Porque ele é muito dócil e imita bastante o comportamento do outro cachorro, então tem sido bem fácil; embora, às vezes, ele ainda faça xixi dentro de casa."

Milton, um idoso em evolução

Para a redatora publicitária Marcella Nunes, cada sinal de evolução de Milton desperta uma sensação de conquista. O animal, uma mistura de Husk Siberiano, Pastor Alemão e outras raças, já era praticamente um idoso quando ela o adotou há um ano e meio, aproximadamente. Resgatado por duas amigas de Marcella, o cão demonstrou muita afetividade assim que conheceu aquela que seria sua nova tutora. "Ele já estava na casa de uma das minhas amigas há muito tempo, mas por ser um animal idoso e muito carente, ninguém se interessava. Quando fui vê-lo pensei 'agora não tenho mais como sair daqui sem ele'. Ele me abraçou e eu já o levei para casa naquele dia".

Arquivo Pessoal
Marcella passou por um processo de conquista de confiança com Milton Imagem: Arquivo Pessoal

Marcella conta que nos primeiros meses o relacionamento com o animal foi muito bom, mas que ele apresentou uma mudança de comportamento depois de ter passado por castração e, por essa razão, foi preciso reconquistá-lo. Ainda assim, ela ressalta que, para ela, foi muito gratificante ter adotado Milton. "Ele é super na dele. Gosta de sair para passear, mas gosta de voltar e ficar tranquilo; até por ser mais velho. E é um trabalho muito bonito. Toda vez que eu vejo que o Milton melhorou um pouquinho eu já me sinto melhor. Às vezes, a ressocialização é trabalhosa, mas vale a pena. E as preocupações que tenho com a adaptação, não tenho com questões de saúde. Ele é um animal superforte. E é muito legal poder ver a evolução de um bicho e saber que vai dar um fim de vida confortável para ele."

Raposa e Palito, os populares da Vila

A atriz e apresentadora Juliana Araujo e o marido Ivan nem pensavam em ter um cão. A ideia começou a parecer razoável depois que os dois resgataram um vira-lata que quase foi atropelado por um ônibus em 2014. Prestes a viajar, o casal levou o animal para casa e fez de tudo para encontrar e devolver o bichinho aos seus tutores. Depois que voltaram da viagem de um mês, Juliana começou a busca pelo animal que adotaria. Foi então que eles conheceram Raposa, até então chamada de Panqueca no abrigo em que vivia, na região de Cotia."Ela era uma cadela que só ficava no colo. E a Sueli [responsável pelo abrigo] disse que ela tinha sido adotada por uma mulher de São Paulo que a devolveu porque se mudou para o Rio de Janeiro. Então, quando ela veio viver com a gente, ela  não latia. Ela só foi latir depois do 20º dia porque o meu marido ficava latindo e ela, então, passou a imitá-lo. Mas ela sempre foi super boazinha".

A aproximação de Juliana com a Raposa foi tão grande que ela e o marido decidiram levá-la para a viagem de comemoração de um ano de casados. Neste período, a cadela já vivia com eles há uns seis meses e eles não pensavam em adotar outro cão, até que cruzaram com Palito, em um posto na rodovia Presidente Dutra, enquanto voltavam dessa viagem. "O Palito estava acabado, mal conseguia se mexer. E quando fui dar um pouquinho da ração da Raposa para ele, ela chegou perto dele, ficou olhando. Achei comovente. E aí colocamos o Palito no carro", lembra Juliana.

Isabela Lisboa
A família completa, em ensaio de um mês de vida de Morena Imagem: Isabela Lisboa

A história de Palito poderia ter sido completamente diferente caso não tivesse sido tratado da hemoparasitose (popular doença do carrapato) e de um tumor peniano. Mas o fato é que de lá para cá, o casal viveu incontáveis e hilariantes histórias com os animais que, de tão dóceis, se tornaram populares na Vila Madalena, bairro da zona Oeste de São Paulo. Há três meses, com a chegada de Morena, filha deles, a família cresceu ainda mais, mas Juliana garante que os cães vivem em harmonia com a pequena; que a decisão de adotar os animais já adultos foi das melhores que tiveram e que, embora pareça clichê, os bichinhos parecem mesmo ter gratidão por eles.

Apesar de muito tocantes, as histórias de Buck, Milton, Raposa e Palito não são tão recorrentes. A realidade mostra que, mesmo quando as pessoas estão dispostas a adotar um animal, o mais comum é que escolham um filhote. É verdade que os filhotinhos podem ser, além de fofos, muito sedutores, mas escolher um cão sem raça definida já adulto também pode ter vantagens. Para falar sobre elas, conversamos com o médico veterinário comportamentalista Marcelo Henzel e com a presidente da UIPA (União Internacional Protetora dos Animais), Vanice Teixeira Orlandi.

Vantagens de adotar um cão adulto sem raça definida

Mais calmaria e menos destruição

Ao contrário dos filhotes, que ainda têm a fase de destrutividade pela frente e acabam com móveis e objetos enquanto estão enfrentando o crescimento dos dentes, o adulto já superou isso, explica Vanice Teixeira Orlandi. Além disso, o nível de energia e necessidade de interação dos cães adultos é mais baixo que o dos filhotes.

Adultos são menos dispersos e aprendem com facilidade

O veterinário Marcelo Henzel afirma que é mito a ideia de que "cachorro velho não aprende truque novo". Ele explica que, por serem menos dispersos, na fase adulta os cães conseguem aprender a rotina da casa com mais facilidade, usando as mesmas técnicas de treinamento utilizadas quando o cão é filhote.

Você não terá surpresas quanto ao tamanho do animal

Quando se fala de filhotes de cães sem raça definida o tamanho que eles podem atingir é sempre uma incógnita. Pode-se estimar, mas nunca ter certeza até que eles realmente cresçam. Ao escolher um adulto, no entanto, o adotante já saberá se o espaço que tem é adequado para tratar daquele animal. Da mesma maneira, o temperamento do cão, muitas vezes, já está definido. Então, o indicado, segundo  Orlandi, é que a pessoa interessada dê um bom passeio com o animal que pretende adotar antes de levá-lo para casa e veja se ele corresponde ao que é esperado.

Animais adultos SRD (Sem Raça Definida) são bastante resistentes

Os cães SRD que chegam à idade adulta, em geral, apresentam muito boa saúde e são mais resistentes a alguns tipos de doenças, justamente por terem uma carga genética muito variada e por terem enfrentado diferentes adversidades na rua.

Eles costumam ser bastante gratos e sociáveis

Os animais resgatados diretamente da rua ou que passaram um longo tempo em abrigo, normalmente, têm um histórico de abandono e, por esse motivo, quando adotados, acabam criando laços muito profundos com seus tutores e, muitas vezes, manifestando até mesmo um sentimento de gratidão.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba seu horóscopo diário do UOL. É grátis!

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Da Redação
do UOL
Casa e Decoração
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Da Redação
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Redação
do UOL
do UOL
Topo