Estilo de vida

No cinema nacional, atrizes negras estão em apenas 4% dos filmes

Divulgação KBELA
Pôster do curta "Kbela", de Yasmin Thayná Imagem: Divulgação KBELA

Natacha Cortêz

Do UOL, em São Paulo

16/11/2017 04h00

Brasil, o segundo país com a maior população negra do mundo - só perde para a Nigéria - não demonstra negritude em seu cinema. Se falamos das brasileiras negras, essas são sub-representadas; seja na frente das câmeras ou atrás delas.

Um estudo feito pelo Gemaa (Grupo de estudos multidisciplinares da ação afirmativa) entre 1995 e 2016 mostrou que apenas 4% dos elencos dos dez filmes nacionais de maior público de cada ano foi de atrizes negras. Mostrou ainda que nenhuma mulher negra esteve na direção e na autoria dos roteiros desses filmes. "Os resultados indicam que na última década o cinema nacional foi majoritariamente feito por homens brancos", concluiu o boletim divulgado pelo grupo.

Há um ano, a roteirista e diretora paulistana Carol Rodrigues, 33, fez um curso de programação de sites para tentar começar a corrigir o "prejuízo histórico" que é a ausência de mulheres negras no audiovisual nacional. Dali, criou o Mulheres negras no audiovisual brasileiro, um espaço na internet de visibilidade e apoio para mulheres negras que atuam no mercado. 

    No site, existe a ferramenta "buscar por profissionais", onde Carol disponibiliza um inventário de profissionais femininas - todas obrigatoriamente negras ou pardas - de todo tipo de especialidade dentro da indústria. Há roteiristas como ela, diretoras, produtoras, diretoras de arte e fotografia, editoras e até mesmo professoras e críticas de cinema. Além desse banco de profissionais, há a divulgação de programas de bolsas e cursos com descontos. 

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    "Não conseguimos entrar no mercado, portanto não acumulamos experiência. Ao mesmo tempo, não conseguimos acumular experiência porque não estamos no mercado. E então é válido questionar: por que não estamos? Somos subestimadas por nossos currículos mas também por nossa capacidade intelectual. Somos ainda estereotipadas para os papéis de atuação; ou nos dão os de escravas ou os hipersexualizados", explica Carol.

    Arquivo pessoal
    A roteirista e diretora, Carol Rodrigues Imagem: Arquivo pessoal

    Para ela, além da importante vitrine que seu site é, ele tem outra função indispensável para que mais mulheres negras adentrem no mercado: a rede de apoio. “A gente enfrenta a questão da insegurança o tempo todo. Por isso estarmos conectadas e indicarmos umas às outras é tão importante. Eu mesma só consegui entrar em uma sala de roteiro porque a chefe da sala me indicou e garantiu aos chefes dela que eu daria conta”, diz. 

    Indique uma mulher negra

    Abaixo, Carol faz sua lista das cinco brasileiras negras que "estão mudando a cara do audiovisual brasileiro". Ela aposta em roteiristas, diretoras e uma dramaturga atriz. 

    • Renata Martins - é uma das idealizadoras da websérie documental "Empoderadas" junto com outras dez mulheres negras. É também diretora de "Aquém das Nuvens", filme premiado e exibido em mais de dez países. Além disso, é roteirista colaboradora na nova temporada de “Malhação", "Viva a diferença!", que foi elogiada por ser mais inclusiva e diversa. 
    • Jéssica Queiroz - a cineasta cresceu na periferia paulistana, em Ermelino Mattarazo, e leva a cultura periférica no cinema que faz. Em 2015. lançou o curta "Número e Série", que fala sobre escolas públicas e, no mesmo ano, no centenário da escritora e catadora Carolina Maria de Jesus dirigiu "Vidas de Carolina", que traça um paralelo entre Carolina e a vida de mulheres catadoras de resíduos recicláveis em São Paulo.
    • Grace Passô - a dramaturga mineira Grace Passô já teve peças traduzidas para seis idiomas. Também atriz, se destaca pelo arrojo de suas experimentações e por fazer de suas cenas campo de enfrentamento da intolerância.
    • Yasmin Thayná - é fundadora do canal de streaming colaborativo "Afroflix", curadora da Festa Literária das Periferias e diretora de "Kbela, o filme", curta que fala sobre o embranquecimento na sociedade e a difícil tarefa das mulheres negras em se adequarem aos padrões e suprimirem sua identidade.
    • Joyce Prado - é codiretora, editora e captou imagens para o documentário "Okán Mímó: Olhares e palavras de afeto", que retrata experiências de racismo religioso, afetividade e amor vivenciados por adeptos de religiões de matriz africanas. 

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