Equilíbrio

Camisinha do futuro pode ter tendão de boi a hidrogel; entenda

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Imagem: Getty Images/iStockphoto

Marcos Candido

Do UOL, em São Paulo

24/11/2017 04h00

É comum ouvir por aí de que a camisinha incomoda, aperta, escapa, faz brochar ou interrompe o sexo em um momento crucial. Se é sempre verdade ou não, o fato é que ela é indispensável, e há uma "corrida” no campo da tecnologia para acabar, ao menos, com esse tipo de reclamação mais técnica. 

Neste ano, uma empresa em Boston, nos Estados Unidos, começou a vender 60 modelos de camisinhas com dimensões diferentes das que são vendidas no mercado. Dá para encomendar uma camisinha com comprimento e largura quase sob medida.

A myONE Perfect Fit ajuda o cliente até mesmo a medir o pênis com uma régua, que pode ser impressa por meio de um molde no site da marca. E a empresa não está sozinha. Há de estúdios de design a laboratórios, na Europa e nos Estados Unidos, tentando criar a ”camisinha do futuro”.

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Bill Gates quer criar a nova camisinha

O bilionário Bill Gates, fundador da Microsoft, investiu 100 mil dólares, em 2013, para financiar pesquisas de modernização dos preservativos. A iniciativa foi incisiva: era preciso melhorar o conforto e a sensibilidade do produto.

Camisinha do futuro vai de nanotecnologia a hidrogel

Um dos escolhidos foi Mark McGlothlin, à frente de uma empresa dos Estados Unidos, com uma camisinha feita de colágeno de tendão bovino. O modelo teria uma espécie de “pelezinha” úmida para aumentar a sensibilidade. O projeto está paralisado por falta de verba, que exigiu mais dinheiro para continuar.

Com o investimento de Gates, um laboratório universitário no Texas lançou, em janeiro de 2016, um hidrogel gelatinoso, carregado de antioxidantes que impedem o avanço do HIV, caso a camisinha se rompa. Os antioxidantes fazem jornada dupla: estimulam as terminações nervosas e intensificam a ereção. O projeto é o que tem mais chances de receber financiamento da indústria segundo seus criadores, mas ainda não chegou às farmácias.

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A LELO HEX é o primeiro sinal de camisinha do futuro: a estrutura hexagonal dela expande e se contrai, além de ser mais resistente. Uma caixa dela sai caro: R$ 149 Imagem: Divulgação

O restante dos projetos selecionados --que vão da nanotecnologia a aplicadores automáticos de camisinhas-- avança a passos lentos para chegar ao grande público ou foram engavetados.

Novos modelos tentam frear queda no uso e atrair novos consumidores

Iniciativas desse tipo têm um motivo: evitar a diminuição no número de pessoas que usam preservativo.

Na última sexta (17), uma pesquisa feita pela Olla mostrou que 47% dos homens e 52% das mulheres entrevistados disseram que "nunca ou raramente" usam camisinha. Cerca de 60% dos homens entrevistados já pediu a parceira para transar sem proteção.

O Ministério da Saúde diz ter constatado um aumento no número de Aids entre jovens de 15 a 24 anos, sendo que de 2006 e 2015 a taxa entre aqueles com 15 e 19 anos mais que triplicou, passando de 2,4 para 6,9 casos a cada 100 mil habitantes. Entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa dobrou, passando de 15,9 para 33,1 casos a cada 100 mil habitantes.

Nova embalagem

Além de campanhas, o ministério diz que também entrou na jogada. Neste ano, um concurso entre universitários resultou em uma nova embalagem para as camisinhas que são distribuídas gratuitamente no país. O vencedor foi anunciado em um congresso em Curitiba, no fim de setembro. O SUS distribui 375 milhões de preservativos masculinos ao ano.

A marca Olla afirma que desenvolve novos produtos, mas sem entrar em detalhes. O design, segundo a marca, nem sempre é o que espanta o usuário. “As pessoas costumam deixar de utilizar enquanto o consumidor ainda não encontrou sua camisinha ideal. Existem diversos modelos: mais largas, anatômicas, texturizadas, mais resistentes. Basta encontrar a sua preferida”, explicou um porta-voz por e-mail.

Até o fim desta reportagem, as marcas Jontex e Durex não haviam respondido aos mesmos questionamentos.

O tamanho da camisinha é o problema?

Estudiosos da área de sexualidade também acreditam que há mais de um motivo para a rejeição do preservativo. Ainda assim, um dos argumentos da myONE Perfect Fit, citada no início desta reportagem, é de que as camisinhas disponíveis no mercado são maiores do que a média dos pênis dos norte-americanos.

Um estudo norte-americano mostrou que, por lá, 83% dos homens têm pênis menores do que as camisinhas vendidas no mercado, que ficam entre 17 a 21 centímetros de comprimento. A média peniana no país, porém, é cerca de14 centímetros.

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Aplicador de camisinhas da África do Sul: ele desliza pelo pênis e evita erros na hora de vestir Imagem: Divulgação

No Brasil, a Anvisa define que preservativos de látex masculinos não podem ter menos 16 cm de comprimento. “Tamanho e comprimento mudam de país para país, não é mito. No Brasil, a média é de 16 cm de comprimento e dois e meio a três centímetros de diâmetro. Mas tem maiores”, explica o urologista Emilio Sebe, líder de uma rede de clínicas especializadas em saúde sexual masculina.

Novos modelos irão intensificar o uso da camisinha? Talvez esse não seja a questão

A antropóloga Mirian Goldenberg, que liderou a pesquisa da Olla, diz que o fator técnico --tamanho, largura -- não foi o mais citado por quem rejeita o preservativo. “Os entrevistados dizem que, se sentem confiança no parceiro, preferem transar sem a camisinha. A confiança pode ser conquistada por que o casal já se conhece de outras situações ou por

Em alguns casos, o homem costuma transferir uma insegurança para a camisinha

Então, a questão não é só o design? “No meu dia a dia de atendimento, percebo que aqueles que não usam camisinhas são os o que menos se importam que pode estar em risco de saúde”, explica a sexóloga e psicóloga Priscila Junqueira, autora do e-book ‘Sua sexualidade’. “E, em alguns casos, o homem costuma transferir uma insegurança para a camisinha”. Urologistas também dizem que ela não bloqueia a circulação e faz o pênis brochar.

O preservativo é o método mais seguro contra DSTs e para evitar uma gravidez indesejada, segundo o Ministério da Saúde. O jeito é continuar a vestir a boa e velha camisa. 

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