Estilo de vida

Como um blog de 'futilidades' virou uma comunidade nada fútil para mulheres

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Da esquerda para a direita, Joana Cannabrava e Carla Paredes, criadoras do blog "Futilidades" Imagem: Divulgação

Jéssica Severo

Colaboração para o UOL

27/11/2017 04h00

Há oito anos, Carla Paredes e Joana Cannabrava criaram o blog “Futilidades”. A ideia era falar sobre moda, beleza, viagens e relacionamentos. Em 2017, no entanto, veio um clique para mudar de tom. Saíram de cena as “futilidades” e o assunto central passou a ser autoestima. A identificação das leitoras foi imediata. Hoje, só no Instagram, elas têm mais de 77 mil seguidores. No Facebook, mais de 34 mil.

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"Estávamos sentindo uma necessidade de mudança em nossa linha editorial. Passamos pelos mais de 3.000 textos do blog que tínhamos até então para ver se surgia algum insight. Foi quando entendemos que tudo o que rendeu mais comentários, e-mails e retorno estava relacionado à autoestima”, contam Carla e Joana.

O poder das hashtags

Para colocarem em prática a mudança de tom, Carla e Joana lançaram a hashtag #paposobreautoestima no Instagram. Na rede social, reuniram mais de 2.000 relatos emocionantes.

Na sequência, veio o grupo fechado Papo sobre Autoestima no Facebook, que reúne, até o momento, quase 4.500 membros. Nele, as participantes compartilham histórias sobre relacionamentos abusivos, maternidade, aceitação do próprio corpo, entre outros temas. Nos posts, os comentários são marcados por empatia entre quem se abre e quem lê.

"Essa obsessão por ter um corpo perfeito gera um padrão de beleza muito cruel, que faz com que a razão dê, muitas vezes, lugar a um comportamento de manada, ditado por dietas da moda e corpos iguais, quase desconsiderando o biótipo de cada mulher", fala Joana.

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Joanna Cannabrava (com o coração na mão) e participantes de um dos piqueniques do Papo sobre Autoestima Imagem: Divulgação

O maior desafio do projeto é, justamente, desconstruir essa necessidade de um corpo perfeito.

"Quanto mais amor colocarmos no olhar e menos falarmos mal dos nossos corpos, mais chances teremos de construir um processo genuíno de autoconhecimento", fala Carla.

Ir na contramão

Nesse processo de mudança, as criadoras do blog abriram mão de postar sobre look do dia, dietas da moda e fotos fazendo “carão” em baladas e com isso chamaram a atenção das leitoras.

"É enriquecedor, engrandecedor e bem desafiador, pois usamos isso para levar nosso discurso para pessoas que talvez não fossem conhecer nosso blog ou Instagram por não se tratar de um lugar de fotos e legendas perfeitas", contam Carla e Joana.

Para além da web

A mobilização do #paposobreautoestima foi tão grande que saiu da internet para o mundo real. Agora as leitoras do blog se reúnem em piqueniques periódicos.

"A troca que acontece e a empatia que gera entre as mulheres que participam sempre nos deixam arrepiadas. Diríamos que é um dia de exercício de amorosidade e acolhimento vivido in loco", relatam as blogueiras.

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Da internet, as leitoras do blog "Futilidades" passaram a se encontrar no mundo real Imagem: Divulgação

A seguir, três leitoras falam sobre o “Futilidades”:

Margareth Andrade, 43, professora

"Comecei como fantasma no grupo, só lia os depoimentos, mas depois criei coragem e fui ao piquenique em Belo Horizonte. Fui tão acolhida que decidi enfrentar meu medo de conviver com as pessoas. Aprendi a me olhar com amor, a aceitar que não sou perfeita e isso não me diminui em nada, que não preciso ter a barriga chapada para ser aceita. Treinei meu olhar para enxergar meu corpo com cuidado e oferecer uma palavra de apoio para as outras meninas."

Camilla Silva, 28, engenheira de produção

“Achava que meu corpo era errado, agora percebi que esse padrão é que é distorcido. É muito difícil enxergar isso por conta própria. Por isso o Papo sobre Autoestima é tão importante. No grupo, são mulheres com corpos reais, independentemente do tamanho, procurando se aceitar. Com os relatos e discussões, encontramos força para amar nossos corpos do jeito que são. Aprendemos que não tem nada de errado com uma gordura aqui, uma celulite ali. É um movimento transformador."

Juliana Ali, 40, artista plástica

"Trocar experiências, dar e receber conselhos, tudo isso já aumenta a autoestima da gente de cara. E, mais ainda, essa coisa de mostrar que ser você mesma é ok. Não é sobre ser magra ou gorda, loira ou morena... É sobre ser como você é. Do jeito que você é. Sem ter de se esforçar para se encaixar em nada. E isso é extremamente empoderador."
 

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