Boa forma

É possível quebrar a coluna em exercício como fez homem de vídeo viral?

Reprodução/YouTube
Imagem de câmera de segurança mostra momento em que homem quebra a coluna Imagem: Reprodução/YouTube

Thamires Andrade

Do UOL

19/01/2017 04h04

Um vídeo publicado no YouTube nessa semana mostra um homem que teria quebrado a coluna enquanto levantava peso na academia. De acordo com o tabloide britânico “The Sun”, ele passa bem, mas não se sabe mais informações sobre seu estado de saúde. Mas, afinal, é possível quebrar a coluna na academia? Ou se trata apenas de um falso um rumor? De acordo com os especialistas ouvidos pelo UOL, é possível que isso aconteça, apesar do desconhecimento sobre a veracidade desse caso citado.

Segundo Alexandre Fogaça Cristante, ortopedista do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e diretor da SBC (Sociedade Brasileira de Coluna), a lesão exibida no vídeo é chamada de fratura por compressão, um tipo menos grave, que ocorre quando o excesso de peso esmaga a vértebra da coluna. “Quando o excesso de peso passa pela coluna, ela quebra como se estivesse sofrendo um achatamento. Esse tipo de lesão é menos grave, por ter menor incidência de lesão neurológica”, explica.

Mas não é por que o risco desse tipo de lesão é menor que ele desaparece por completo. “A própria estrutura óssea da coluna protege a medula, pois antes de chegar nela tem o osso, ligamento e musculatura, que absorvem o impacto do trauma. Mas existe, sim, o risco de ficar sem andar por quebrar a coluna. Tudo depende se a lesão tiver acometido a medula”, explica João Paulo Bergamaschi, ortopedista e cirurgião de coluna da Clínica Kennedy, em São Paulo.

O risco de quebrar a coluna é maior, segundo Cristante, entre os praticantes de atividade física que tem mais idade, osteoporose ou doenças que impliquem em fragilidade óssea, como alguns tipos de tumores ou problemas como deficiência de absorção de cálcio e vitamina D.

Tratamento varia de acordo com lesão

Não existe um tratamento padrão. Ele varia de acordo com a gravidade da fratura e se houve lesão neurológica ou não. “Se houve lesão neurológica, provavelmente, haverá a necessidade de um procedimento cirúrgico para descomprimir o canal, estabilizar a coluna e o paciente terá um longo processo de reabilitação pela frente para tentar melhorar o déficit neurológico”, explica Cristante.

Se não houve lesão na medula, a lesão não é tão grave, segundo o diretor da SBC, e alguns tratamentos conservadores podem ser escolhidos, como o uso de coletes para estabilização e, depois, reabilitação com fisioterapia e sessões de RPG para melhorar a musculatura do paciente.

Como evitar?

Para evitar correr o risco de quebrar a coluna, a primeira recomendação de Cristante é buscar a avaliação de um médico antes de iniciar a prática de atividade física.

Bergamaschi também indica sempre fazer atividade física supervisionada. “Principalmente quem está começando ou quem quer aumentar o nível. Quer colocar mais carga? Perfeito, mas com supervisão de um educador físico para garantir que o exercício está sendo feito de forma correta e segura”, afirma.

Segundo Bergamaschi, ter uma musculatura bem condicionada, que serve como proteção para as estruturas da coluna, também evita essas intercorrências. “Condicionada é diferente de hipertrofiada. Para ter uma musculatura condicionada, basta uma atividade esportiva de intensidade e peso moderado”, fala.

Na opinião de Cristante, o caso é um alerta para os praticantes de atividade física. “Fica um alerta para os praticantes de atividade física evitarem o excesso. Exagero na carga durante a execução do exercício, como no vídeo, faz com que a atividade deixe de ser saudável e, aí, a pessoa começa a correr riscos”, afirma.

Raio-X dificilmente pertence ao homem acidentado

Reprodução/The Sun
Para especialistas, o raio-X não pertence ao homem que sofreu o acidente na academia Imagem: Reprodução/The Sun
Além de publicar o vídeo, o tabloide britânico "The Sun" também divulgou um raio-X que pertenceria ao homem acidentado. No entanto, segundo os especialistas ouvidos pelo UOL, esse tipo de fratura da imagem não é condizente com o acidente, mas sim, com um trauma de alta energia, como atropelamento, acidente automobilístico e queda de altura.

"Esse padrão de fratura é muito grave. Se realmente esse exame for do paciente que se machucou na academia, é um acidente bem atípico. A fratura exibida no exame está quase sempre relacionada a lesões neurológicas, ou seja, deixa sequelas como perda de força nas pernas, sensibilidade e paraplegia", explica Cristante.

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