Boa forma

Em um ano, Ivie transformou o corpo aos 36 e virou fisiculturista

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Depoimento a Thamires Andrade

Do UOL

A nutricionista Ivie Rhein, 38, sempre lutou com a balança, mas foi em 2013 que resolveu mudar seu físico de vez. Ela emagreceu em um ano e, aos 36 anos, aceitou um novo desafio: virar fisiculturista. Um ano depois, ela transformou seu corpo e venceu sua primeira competição e não parou mais. Mãe de dois filhos, ela conta como aprendeu a ter foco nas preparações para os campeonatos:

"Sempre pratiquei esporte: nadava, jogava vôlei e handebol e dançava ballet. Meu corpo na adolescência era aquele típico brasileiro: pernão e bundão, então, sempre lutei contra a balança.

Engravidei duas vezes e em cada uma das gestações engordei 25 quilos. Pensava "dane-se, não quero saber, vou comer mesmo". Em 2013, me olhei no espelho e vi que não dava mais para ficar assim. Subia na balança de costas, não tinha ideia do meu peso. Estava infeliz e me sentindo mal de viver daquela maneira. Foi aí que resolvi mudar meu físico.

Meu marido era atleta e personal trainer e eu nutricionista, apesar de, na época, não trabalhar na área. Ele me ajudou muito. Falei que não aguentava mais aquela situação e começamos a rotina de tirar fotos toda semana para acompanhar as mudanças corporais.

Começamos a treinar juntos e passei a ter mais compromisso com as idas à academia. Antes era aquela coisa, quando chovia ou eu estava cansada, faltava. Passei a não ter mais desculpa: não interessava o que tinha acontecido no meu dia, tinha o compromisso de treinar. Ia de cinco a seis vezes na semana e comecei a tomar gosto por ver o corpo mudando.

Já na alimentação, não teve mágica: todo mundo sabe o que precisa cortar, só é difícil fazer! Eliminei gordura, frituras, molhos, açúcar, refrigerante e, para mim, não tinha essa história de liberar a comilança no fim de semana. Sabia que, ao fazer isso, perdia todo o trabalho da semana.

Esporte valorizado

Essa mudança corporal e de estilo de vida demorou quase um ano e, a partir daí, começaram a me falar de competição. Mas, como tinha dois filhos pequenos [Ivie é mãe de uma menina de 11 anos e de um menino de 9], achava que aquilo não era para mim.

Quando nos mudamos para os Estados Unidos, no fim de 2014, percebi o quanto o esporte era valorizado. Na Flórida, todo fim de semana tem um campeonato de fisiculturismo, então, pensei: 'vou fazer um e ver no que dá'.

Meu primeiro campeonato foi no segundo semestre de 2015, o All South, e fiquei em segundo lugar, adorei a experiência e resolvi que era isso que eu queria fazer. Comecei, então, a me preparar para os próximos que estavam por vir em 2016.

Preparação

Geralmente, a preparação começa 16 semanas antes do campeonato e é preciso muito compromisso para se preparar, pois é preciso fica cerca de 10/12 semanas sem qualquer refeição livre. Se tenho que comer seis vezes por dia naqueles horários determinados, não importa onde estou, se não tem onde esquentar a comida, saco a marmita na rua e me alimento. Não saio de casa sem levar todas as minhas comidas para não correr risco de me alimentar errado. Além disso, tomo 7 litros de água por dia.

Meu prazer na preparação é ver meu corpo mudando, sempre tenho em mente que como para alimentar meu corpo e não pelo prazer da comida. Por isso, não me importo se preciso comer frango com batata-doce logo de manhã cedo.

No pain, no gain

Claro que preciso fazer sacrifícios. Teve um aniversário da minha filha que eu estava em preparação e a gente foi em um restaurante, todo mundo comendo e eu marmitando. Claro que tem hora que bate vontade de comer algo, mas coloco na cabeça que tenho um objetivo e que meu foco é subir no palco e mostrar meu melhor físico. Depois do campeonato, posso voltar no restaurante e comer o que quiser, mas, naquele momento, a comida não vale a pena perto do objetivo que tenho.

Nessa etapa, treino seis vezes na semana tanto a musculação quanto os exercícios cardiorrespiratórios. Faço dois cardios por dia tudo para diminuir o percentual de gordura, um de manhã em jejum e outro depois do treino.

Venci duas competições no ano passado [Orlando Europa e Dayna Cadeua Classic] e já estou me preparando esse ano. Quero virar profissional, pois meu sonho é competir no Ms. Olympia, o mais importante campeonato de fisiculturismo."

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