Vida saudável

"Fui de obesa mórbida a fisiculturista e assumi as rédeas da minha vida"

Arquivo pessoal
Nathalia um pouco depois de iniciar a perda de peso e em sua primeira competição como fisiculturista. Imagem: Arquivo pessoal

Helena Bertho

do UOL, em São Paulo

07/04/2017 04h00

Nathália Teixeira, 30, conta como foi dos 120 kg aos 68 kg e conseguiu aplicar o que aprendeu na dieta em sua vida financeira e profissional.

"A minha obesidade nunca foi uma questão só física, ou só de saúde. Era uma questão mental, psicológica, mas eu demorei para perceber. Eu nunca fui uma jovem com questões de peso. Tinha um corpo dentro dos padrões e, muitas vezes, precisava até engordar. Até que me casei, comecei a trabalhar e engravidei. Com a mudança de vida, vieram os quilos.

Vale dizer que casei muito nova: aos 19 anos e, em seis meses, já tive meu primeiro filho, o Bryan. Ao mesmo tempo, iniciei minha carreira como contadora. Foi tudo de uma vez! Um dia eu era uma adolescente, que morava com os pais e não tinha preocupações. No outro, uma adulta, com filho, contas para pagar e um trabalho bem estressante. Era desesperador!

Hoje eu consigo ver que não sabia lidar com isso. Eu era feliz, realizada com meu marido e filho, e nem conseguia olhar para as ansiedades que toda a pressão daquela mudança trazia para a minha vida. Mas o problema estava ali e o jeito que meu inconsciente achou de lidar com ele foi descontando em uma compulsão por comida.

Todo dia de manhã eu passava numa lojinha a caminho do trabalho, comprava um pacote de chocolates e passava o dia todo sentada e comendo. Cobrança do chefe? Comida. Ameaça de demissão? Comida. 12 horas do serviço? Comida. Chegar em casa e cuidar do filho? Mais comida.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
"Mais da metade do meu corpo era gordura!"

Tive minha segunda filha e continuei engordando até os 25, quando decidi que precisava mudar. Por que decidi?  Uma soma de fatores. Para começar, eu não tinha energia nem para brincar com meus filhos, meu fôlego não dava nem para um passeio no parque. Depois as roupas, nada me servia. Na verdade, eu até já havia tentado várias dietas malucas, mas nada durava mais de um ou dois dias. Tentei dieta da proteína, da sopa, do chá, do mato... O que aparecia na internet, eu tentava e desistia.

Além disso, um dia eu e meu marido resolvemos redecorar a casa e deixamos um espelho fora do lugar. Ao passar por ele distraída, vi uma imagem ali que não reconhecia. Aquela mulher parecia ter muito mais de 25 anos. E pensando bem, ela se portava como se tivesse mesmo bem mais, sedentária e trancada em casa. Para somar, fui a um médico que usou um aparelho para medir a porcentagem de gordura corporal que tinha. O resultado? 51%! Mais da metade do meu corpo era gordura. Segundo ele, aquilo indicava que minha saúde estava em risco e era surpreendente que eu ainda não tivesse diabetes.

Impulsionada por isso tudo, decidi tomar uma atitude. E como nada antes havia funcionado, procurei ajuda para dar certo dessa vez. Fui a uma clínica especializada, onde me passaram uma dieta bem restrita. Mas restrita mesmo: 500 calorias por dia. 

Era pesado, mas aquele era meu projeto de vida. Decidida a fazer dar certo, eu fugia de qualquer coisa que pudesse me tirar do rumo. Festas, eventos, passeios? Eu passava longe. Até casamento de amigos queridos eu perdi. Em seis meses, perdi 25 quilos. Fui de 120 a 95. Ainda estava acima do peso, mas a diferença era enorme.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
"Eu só queria subir no palco, mas fui premiada"

Nesse momento, percebi que uma dieta de 500 calorias era inviável para o resto da vida. Além disso, por estar comendo tão pouco, eu não podia fazer exercícios e tinha medo da flacidez. Por isso decidi mudar de plano. Saí da clínica e procurei um personal. Comecei a fazer musculação e a dieta era por conta. Afinal, no fundo a gente sabe o que faz bem ou não na alimentação, né?

Isso até que funcionou, mas perdi pouco peso nos seis meses seguintes. Estagnei com um pouco menos de 90 kg, mas eu ainda queria mais. Eu precisava encontrar algo que me levasse além. Mas o quê?

Foi aí que surgiu a ideia de competir fisiculturismo. Se essas pessoas conseguiam modificar seus corpos para ficarem esculturais, por que eu não conseguiria? Só tinha que perder alguns quilos no caminho.

Lembro que procurei um professor especialista e, quando contei meu plano, ele me achou doida. Imagine, eu ainda bem gorda querendo competir fisiculturismo. Mesmo assim ele topou e comecei uma rotina insana: todo dia treinando depois do trabalho até meia-noite e de manhã, a partir das cinco. Meu marido assumindo as pontas em casa para eu poder dar conta.

Era pesado e exaustivo, mas eu estava focada e decidida. E em um ano e meio, consegui! Lembro direitinho da minha primeira competição. Queria subir naquele palco e provar para mim mesma que eu tinha conseguido vencer a obesidade e atingir meu objetivo. Não precisava nem ganhar, o que valia para mim era estar ali. E, mesmo assim, fiquei em quinto lugar! Nem eu acreditava quando anunciaram. Eu só queria subir no palco!

"Usei o que aprendi na dieta para mudar minha vida financeira e profissional"

Participei de mais duas competições e ainda fiquei em terceiro e quarto lugar. Esses prêmios abriram meus olhos para tudo que eu havia conquistado. Não era só o peso, nem só a transformação física. Era a percepção de que eu havia decidido fazer uma coisa e conseguido. Foi tão inspirador, que decidi aplicar isso para tudo na minha vida.

Parei e olhei o que me incomodava e comecei a mudar. Assim como mudei meu corpo, podia fazer com o resto. Dinheiro, por exemplo, era outra coisa com a qual era compulsiva. Sempre gastando, nunca guardando. Pois decidi organizar a vida financeira e controlar os gastos. Se aos 25 anos eu nem sonhava com a casa própria, aos 29 consegui comprar, com meu marido, nossa casinha.

Minha vida profissional também estava horrível. Desde os 19 na mesma empresa, sobrecarregada e encarando muita pressão, eu trabalhava dez ou doze horas por dia e vivia sob a ameaça de ser demitida. Era uma tortura. E eu agora sabia que podia conquistar mais. Então pedi demissão e decidi fazer faculdade de nutrição e de psicologia, onde me encontrei no propósito de ajudar outras pessoas.

Agora, aos 30 anos, eu consigo olhar para quem era há 10 anos e entender porque me tornei obesa. Hoje, que tenho o controle da minha vida e sei olhar paras as questões que encaro, eu consigo ver que aquela Nathália adolescente despreparada de medo de ser adulta descontou seus medos na comida. E também sei que emagrecer também foi algo muito além do físico, foi algo que me devolveu o poder de controlar meus caminhos".

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Estilo
Agência Estado
do UOL
do UOL
Blog do Prem Baba
Estilo
Estilo
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
Blog Bella Falconi
do UOL
Estilo
Blog Luiz Sperry
do UOL
Estilo
do UOL
do UOL
do UOL
Blog Nutrição sem neura
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
BBC
Estilo
Estilo
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
Blog do Prem Baba
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Blog Bella Falconi
Blog Luiz Sperry
do UOL
BBC
BBC
BBC
Topo