Boa forma

Mulher emagrece 40 kg e agora ajuda outras pessoas a fazerem o mesmo

Reprodu??o/Instagram
Flavia eliminou 40 quilos em 11 meses Imagem: Reprodu??o/Instagram

Thamires Andrade

Do UOL

14/07/2017 04h15

Flavia Monzano, 35, sempre teve problemas com a balança e sofreu muito com o efeito sanfona. O ápice foi quando nem os remédios para emagrecer que tomava estavam funcionando para controlar seu apetite. Depois de chegar aos 104 quilos, ela resolveu mudar de vida, eliminou 40 quilos em 11 meses e, agora, como coach, ajuda outras pessoas a alcançarem seus objetivos. Leia seu depoimento:

"Foi na adolescência que comecei a me incomodar com meu peso. Quando a gente ainda é criança, não tem essa percepção de ser gordo ou magro, acho. Mas o fato de estar gordinha na juventude me incomodava. Fiz minha primeira dieta aos 15 e, até os 20, conseguia manter meu peso naturalmente. Emagrecia, conseguia manter por um tempo, engordava e depois emagrecia novamente. Vivia no efeito sanfona.

Depois dos 20, comecei a usar remédios para emagrecer. E, quando parava, engordava mais. Não conseguia mais controlar minha alimentação sem os inibidores de apetite. Já tinha entrado no quadro de compulsão alimentar e tinha pavor de ficar sem receita médica. O remédio estava para acabar e já voltava ao médico.

Não gostava de mim, não me aceitava por estar acima do peso. Meu sonho era emagrecer e me manter magra.

Os ciclos de compulsão mexiam muito com minha autoestima. Você quer ser magra, mas, por outro lado, acaba comendo. Isso acaba te afastando do seu sonho e você se sente um fracasso, sem força de vontade para fazer algo diferente.

Foram 15 anos sofrendo com o efeito sanfona e a compulsão. Não conseguia adotar hábitos saudáveis. Muito por conta da minha família que também não os tinha. Todo mundo é gordinho e isso acabou contribuindo para eu não ter disciplina na minha meta de emagrecer.

"Pensava que ia explodir"

Há três anos que me veio o insight para mudar de vida. Nem eu acredito que cheguei até aqui. Eu estava no auge do meu peso: 104 quilos distribuídos em 1,68 m de altura. Estava em um ponto que os remédios para emagrecer não faziam nem cócegas, parecia placebo ou pílula de farinha.

Fiquei desesperada. Pensava que se continuasse comendo daquele jeito ia explodir.


Então tinha duas escolhas: continuar gorda e não me preocupar mais ou mudar de vida. Para ter noção do meu desespero, cheguei a procurar um médico para fazer a cirurgia bariátrica. Ele disse que não ia me operar e eu fiquei brava, queria engordar ainda mais para fazer o procedimento. Foi o ápice da loucura e do desespero para ser magra.

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Imagem: Reprodução/Instagram

Meu marido não concordou com essa ideia. Achou que eu estava ficando louca de querer engordar só para isso, mas eu acreditava que o único caminho para comer menos era cortando meu estômago.

"Mudança de comportamento foi fundamental"

Resolvi, então, fazer tudo diferente do que já tinha feito para emagrecer. Procurei uma nutricionista para fazer uma reeducação alimentar e me matriculei na academia, os dois juntos de uma vez. E foram eles que me ajudaram a chegar onde estou hoje.

Mas a mudança de comportamento foi o mais fundamental. Não adianta ter nutricionista e dieta sem mudar os hábitos. Como era compulsiva, tive que trabalhar meu padrão de pensamento e ter muita garra para conseguir mudar.

Não é simples nem fácil mudar a cabeça. Mas comecei a encarar o alimento de outra forma. Antes tinha crenças que me limitavam a chegar onde estou. Achava que comer ia resolver meus problemas, era uma busca mais psicológica do que física pelo alimento. Descontava minhas frustrações, problemas e alegrias na comida. Só que nada resolvia.

Comecei a pensar o por que eu fazia aquilo? Quais eram essas atitudes que me levavam a buscar comida? O que mais me fazia feliz e qual era minha prioridade? Eu nunca me priorizava na minha vida, sempre esquecia de mim. Esse autoconhecimento fez com que eu aprendesse isso. Passei a canalizar minhas atitudes e meus pensamentos para a minha tão sonhada meta de emagrecer.

"É preciso ter interesse genuíno de mudar"

No começo, é difícil lidar com dieta e academia, até por não fazerem parte da rotina, mas é preciso forçar. Para emagrecer precisa ter um interesse genuíno de mudar, se não nem dá certo. Até o segundo mês, foi bem difícil, ainda era uma fase de adaptação. Principalmente da academia que eu passava longe. Sempre me matriculava, ia um mês e parava.

Comecei fazendo musculação e exercícios aeróbicos e permaneço fazendo. Para mim, puxar ferro foi fundamental para que eu não tivesse flacidez. Hoje, tenho um corpo bem definido: barriga, braços e pernas.

Não precisei de plástica graças à academia e uma boa alimentação. No fim, eliminei 40 quilos em 11 meses. Com a ajuda da nutri, aprendi a comer.


Ela fez um plano alimentar com as minhas preferências. Não imaginava que ia me adaptar tão bem. Só estava acostumada com dietas restritivas, que reduziam muito a ingestão de alimentos. Só que o plano dela não me restringia e me mostrou que o organismo precisa de nutriente para se manter. Não dava para só viver de salada. O corpo precisa de outros alimentos e, se você não come, gera a compulsão.

"O que engorda é não ter controle sobre as escolhas"

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
Nunca passei fome e sempre como de três em três horas. Claro que tive e ainda tenho vontade de comer coisas fora da dieta, mas sempre penso: Isso vai me ajudar em quê? Passei a ter esse controle. Se em plena segunda-feira tenho vontade de comer um chocolate, paro e penso: 'É necessário? Isso vai me ajudar em quê?'. Aí a vontade desaparece. Agora, se realmente quero comer algo, aí como, por ter controle sobre as minhas vontades.

Se hoje opto por determinado alimento, não fico culpada como antes, pensando que estraguei tudo e me jogando de novo na compulsão. Se decido que vou comer, tenho controle sobre essa decisão e já na próxima refeição volto ao foco.

Essa foi uma das mudanças que adotei para lidar com a alimentação de forma diferente. Por isso, no meu vocabulário, não tem 'furo' ou 'jacada'. Existe atitude de comer ou não algo. Quando você opta por comer, puxa a responsabilidade para si. Foi você quem escolheu o alimento e não ele que o escolheu. Não é só uma refeição que vai te engordar, é não ter controle sobre suas escolhas.

"Vi o poder do coaching"

Essa mudança de hábito e de cabeça fiz sozinha. Quando comecei a postar minha história no Instagram, passei a motivar muita gente e recebia mensagens perguntando se eu tinha feito coaching. Demorou um pouco até que eu fosse atrás de um curso. Fiz um treinamento intensivo e durante a aula só pensava que eu tinha feito tudo aquilo comigo mesma. Fiz autocoaching sem saber o que era.

Vi o poder da ferramenta, de como a gente pode mudar o que queremos e o que nos incomoda. Se eu mudei, qualquer um pode mudar. Comecei a estudar e tirei certificação internacional de coaching e, desde maio, atendo pessoas para que elas encontrem seu caminho.

Sou coach de emagrecimento e bem-estar e saúde. Conheço todo o processo porque eu também passei por isso. Sou feliz de ter chegado lá, tenho autoestima, me olho no espelho e fico segura e quero que meus coachees também se sintam assim.

"Descobri meu propósito"

Me sinto realizada de poder ajudar as pessoas, por saber o que elas estão passando. Muitas clientes chegam desesperadas, mas explico que não basta só emagrecer, tem que se manter magra. E é por isso que precisa mudar os comportamentos, os hábitos e as atitudes. Eu ajudo as pessoas a se encontrarem e a entenderem o que está as impedindo de alcançar o resultado.

Ter começado a trabalhar como coach fez com que eu descobrisse meu propósito. Antes sofria com essa questão do peso e não entendia o motivo. Hoje sei que foi necessário para que eu pudesse inspirar outras pessoas, mostrar que é possível. Muita gente que me vê fala que eu sou outra pessoa e, realmente, transformei minha vida. Não foi só o físico, foi o comportamento."

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