Boa forma

Muita dor muscular após o treino? Tomar anti-inflamatório não é o ideal

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Maria Júlia Marques

Do UOL, em São Paulo

14/08/2017 04h00

Todo mundo já passou por aquele dia de troca de treino em que as pernas ficam doendo como nunca ou aquele momento em que você aumenta as cargas, mas fica sem conseguir levantar o braço até para escovar os dentes. Pode parecer uma boa ideia tomar um anti-inflamatório para acabar com a dor, mas resista a tentação.

Primeiro, é preciso compreender o sistema de “cicatrização” do organismo depois dos exercícios. Quando você treina, pode forçar a musculatura ao máximo, causando micro lesões das fibras musculares. Como a atividade física melhora a circulação sanguínea na região trabalhada, os músculos recebem os nutrientes necessários e estes pequenos machucados se reparam, formando novas fibras e aumentando o músculo, segundo Fabiano Cunha, ortopedista especializado em medicina do esporte do hospital Santa Paula, em São Paulo.

Mas se você tomar anti-inflamatórios após os exercícios, você interrompe o processo e pode acabar se machucando. Entenda:

Malhação sem sucesso

Se o objetivo é ficar mais forte, acabar com a dor com remédios torna os treinos menos efetivos, segundo um estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

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Na pesquisa divulgada recentemente, os cientistas analisaram músculos de ratos depois de deixarem eles correrem nas rodinhas. Sem medicamentos, os animais geravam um composto conhecido como prostaglandina, que estimula as células musculares a se regenerarem, e dilata os vasos sanguíneos, aumentando o fluxo de sangue e nutrientes para a musculatura.

Por outro lado, os ratos que tomavam anti-inflamatórios bloquearam a produção de prostaglandina e não conseguiam se curar com tanta eficiência.

Estudos anteriores, como um publicado na revista Journal of Physiology and Pharmacology, mostraram ainda que o anti-inflamatório ibuprofeno cancela parte do crescimento do músculo esquelético, aquele que normalmente apareceria depois da atividade física.

Cunha explica que o processo é uma cascata de acontecimentos: quando treinamos, lesionamos o músculo. Essa lesão inflamatória é mediada pela tal da prostaglandina. Por sua vez, a prostaglandina chama o fibroblasto, que é o responsável por constituir a base do tecido e originar as fibras. Se o remédio bloqueia a produção de prostaglandina, o corpo não manda o fibroblasto e não há reparação do músculo.

Remédios ainda sobrecarregam o rim

O rim tem como função metabolizar o anti-inflamatório, então sempre que você tomar um desses remédios já estará dando trabalho extra para o órgão. Acontece que quando você está fazendo exercícios, o rim já está sobrecarregado, pois ele também é responsável por metabolizar a destruição muscular.

Para piorar a situação, atividades intensas levam a desidratação e água é fundamental para o funcionamento normal do rim. E aí vira um combo! A soma do trabalho de metabolizar os remédios, com exercícios e a desidratação, resulta em um rim afetado.

A prova de que o problema renal precisa ser levado a sério é que em provas longas, como IronMan no triathlon ou Tour the France no ciclismo, é comum que participantes sofram falência renal.

Uma pesquisa publicada no Emergency Medical Journal, acompanhou 89 ultra maratonistas em uma prova de 80km. No fim da prova, 44% dos participantes indicavam ter uma lesão renal aguda. Os corredores que tomaram ibuprofeno eram 18% mais propensos a desenvolver as lesões no rim, se comparados com quem não ingeriu nada. Além disso, os machucados tendiam a ser mais severos.

Dor é alerta que não deve ser ignorado

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Quando você sente uma dor, tem que prestar atenção, pois é seu corpo indicando que há algo errado. Ele dói, inclusive após os exercícios, para mostrar que está machucado e precisa de um tempo de recuperação.

Agora, se você toma um anti-inflamatório, deixa de sentir a dor. A dor some, mas a lesão continua lá. Você segue forçando o local machucado e pode acabar com lesões mais graves, de acordo com Ricardo Nahas, do Centro do Medicina do Exercício do hospital 9 de Julho, em São Paulo.

A solução? Aguentar firme e sentir a dor. Você pode fazer compressas com gelo para aliviar e lembrar que, se não for grave, de 24 a 48 horas tudo deve voltar ao normal. Enquanto há dor, não force na academia. Um treino leve, ativa a circulação e ajuda na recuperação, mas não é para forçar a área dolorida.

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