Boa forma

"Meu prato no jantar chegava a pesar 1,5 kg de tanto que eu comia"

Arquivo Pessoal
Antes e depois Fabiano Lacerda: ele chegou a pesar 193 kg Imagem: Arquivo Pessoal

Juliana Vaz

Colaboração para o UOL

30/08/2017 04h15

Fabiano Lacerda, 34 anos, pesava 193 quilos quando os amigos e a família o desafiaram a perder peso. Seu pai ofereceu R$ 5 mil para que ele perdesse 60 quilos. Sem se submeter à cirurgia bariátrica ou medicamentos, o soteropolitano conta neste depoimento como foi que encontrou motivação para eliminar 103 kg em um ano. Leia a seguir:

“Sempre fui gordinho. Praticava esportes todos os dias ao longo da infância e da adolescência, o que acabou amenizando a tendência a engordar. Minha alimentação não tinha restrições e eu me alimentava bem: legumes, arroz, feijão. Mas quando entrei na faculdade, aos 20 anos, comecei a perder o controle. Não sentia fome ao longo do dia e comia em excesso à noite. Uma vez pesei o prato e tinha 1,5 kg de comida. Comia o que havia pela frente: pizza, pães, lasanha congelada. Priorizava o que era mais prático de preparar.

Eu já estava bem acima do peso e sentia as dificuldades de mobilidade e desempenho físico. Deixava de pegar o ônibus se estivesse cheio e minha respiração era ofegante.

Aos 22 anos, pesava cerca de 130 kg. Após me formar em publicidade, comecei a trabalhar em uma agência e logo vieram os clássicos prazos curtos e muito trabalho. Era comum ficar até tarde no escritório e pedir pizza --uma inteira para mim e outra para o restante da equipe.

Fui ganhando mais peso e, com os quilos a mais, vieram as limitações físicas. Viajar de avião era o mais difícil Os comissários de bordo precisavam ter extensores de cinto para mim, sem contar que ocupava o espaço do assento ao lado. Era muito desagradável e evitava ao máximo viagens aéreas.
 

Pai de Fabiano fez aposta de R$ 5 mil para ele emagrecer

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
Mudei de agências ao longo da carreira e, como já tinha estabelecido credibilidade no mercado, não sofria preconceito na contratação, mas a acessibilidade, como o tamanho da cadeira do escritório, sempre era um incômodo para mim. Os colegas da empresa mais recente que trabalhei sempre brincavam e diziam que fariam uma aposta para que eu perdesse peso.

Continuei saindo pela tangente, até que comentei com meu pai essa aposta que queriam fazer. Aí ele disse que apostaria R$ 5 mil contra mim, mas que queria perder esse dinheiro. Em outubro de 2014, aos 31 anos, me senti realmente desafiado e topei. A regra era que eu deveria perder um terço do peso atual em seis meses e sem cirurgias ou ajuda de medicamentos. Eu achava que estava pesando 180 kg e estabelecemos a meta de eliminar 60 kg.

Procurei imediatamente uma nutricionista e uma academia que tivesse estrutura de equipamentos que me dessem apoio. Na primeira avaliação física, vi a balança bater 193 kg, mas mantive o número da meta e decidi que ia superá-la. No início, essa aposta foi uma grande empolgação, principalmente por conta do valor que eu iria ganhar. Mas também queria provar que era capaz de alcançar o objetivo.

Aposta aceita, aí veio a reeducação alimentar

Divulgação
Imagem: Divulgação
Comecei a reeducação alimentar e comia a cada três horas. Levava marmitas e lanches saudáveis para o trabalho. Como a demanda de prazos são malucos no mundo da publicidade, me organizava para fazer exercícios na hora do almoço.

Quando há excesso de peso, os primeiros meses são mais fáceis e foi assim para mim também. Os amigos tentavam me sabotar, mandavam fotos deles no happy hour ou no restaurante. Um dia cheguei na minha mesa e encontrei diversas comidas que eles sabiam que eu gostava! Tinha até pudim. Eles não acreditaram quando não comi nada.

Nesse período, deixei praticamente de sair e não tinha vida social, justamente para evitar as tentações. Foi uma fase muito, muito complicada. Hoje, acredito que se tivesse procurado o apoio da psicoterapia teria sido muito melhor.

Por volta do quarto mês, a situação se inverteu com o grupo e quem não acreditava que eu ia conseguir ou tentava me sabotar, me chamava de canto para pedir conselho de como criar essa disciplina também. Eles ficaram felizes por mim e passaram a me dar apoio, ficavam de olho no que eu comia e se não estava desanimando da dieta.

Foram muitos amigos que voltaram a se exercitar ou cuidar da saúde nessa fase. E nos dias em que o trabalho se estendia até à noite, substituíram a pizza por legumes e grelhados. Foi incrível ver a mudança ao meu redor. Conforme emagrecia, ganhei autoestima e disciplina, e aprendi que é possível, sim, mudar de vida. No quinto mês, bati a meta e perdi os 60 kg.

Após bater a meta, Fabiano sentiu melhora significativa na saúde

Divulgação
Imagem: Divulgação
Ganhei a aposta que tanta gente duvidou que conseguiria. Mas o maior ganho foi perceber que algo dentro de mim havia mudado. Eu via os resultados no espelho, porém não eram suficientes mais. Os picos de pressão alta diminuíram, a respiração que eu nem percebia mais ser tão difícil, melhorou também. Eu pesava 133 kg, estava no grau dois de obesidade e queria me sentir ainda melhor. 

Criei outra estratégia e estipulei metas menores. Havia alguns equipamentos da academia que ainda não suportavam meu peso, então focava que ia conseguir emagrecer para usá-los. O cinto do avião ainda era um problema, então determinei que até a próxima viagem, teria menos dez quilos. Em agosto de 2015, dez meses depois do começo da transformação, havia perdido um total de 90 kg.

O objetivo agora era chegar a outubro de 2015 com 100 kg a menos. Aumentei a intensidade dos exercícios aeróbicos e diminuí o consumo de carboidratos, mas sem exagero, pois caso contrário não teria energia suficiente para treinar. Consegui de novo superar a meta e perder 103 kg. A balança bateu 89 kg!

Compartilhei essa trajetória nas redes sociais, criei um site e escrevi um livro ['A Aposta'], para inspirar ainda mais pessoas. O sucesso tem sido muito positivo e, após mais de dez anos, deixei a publicidade para me dedicar a carreira de influenciador.

Hoje, aos 34 anos, peso 93 kg e pratico diferentes esportes. Não tenho problemas de ver fotos antigas, elas me ajudam a enxergar o quanto a determinação e a vontade verdadeiras são fundamentais para conseguir conquistar qualquer objetivo na vida.”

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