Boa forma

Existe um motivo para fisiculturistas serem tão bronzeados; saiba qual é

Adriano Ishibashi/iFrame
Fisiculturista exibe músculos no evento multiesportivo Arnold Imagem: Adriano Ishibashi/iFrame

Thamires Andrade

Do UOL

20/09/2017 04h15

O bronzeado laranja do presidente americano Donald Trump virou assunto na eleição presidencial dos Estados Unidos. Mas essa coloração também chama atenção em outro momento bem menos formal que a Casa Branca, nos campeonatos de fisiculturismo.

Segundo as regras dos concursos, "os atletas devem ter um bronzeado natural e saudável" e, por isso, o objetivo é evitar o efeito alaranjado, que muitas vezes é o que acontece com alguns participantes. "O ideal é ter uma coloração bronze, mais forte, como se fosse uma estátua", define Alexsandro Santos Leite, diretor da IFBB-SP FEPAC (Federação Paulista de Fisiculturismo, Fitness e Bodyfitness) e ex-atleta de fisiculturismo.

Mas por que os atletas precisam desse bronze todo?

O objetivo dessa pintura é um só: destacar os músculos quando eles estiverem lá em cima do palco. "Quando o fisiculturista está no palco, já cumpriu tudo o que tinha que ter feito e a única coisa que pode fazer para destacar mais o corpo é caprichar na pintura e nas poses. Se ele falhar na hora de exibir a musculatura, pode até perder para um atleta pior", destaca Johnny Kennerly, desenvolvedor de produtos, que, para criar uma tintura própria para os atletas, já pintou mais de 100 corpos em competições.

Christian Tragni/Folhapress
Imagem: Christian Tragni/Folhapress
Por isso que, além de terem aulas de poses, existe toda uma rotina para alcançar uma boa pintura no dia da competição. "Quanto mais escura e bronzeada a pele estiver, mais aparente estará a musculatura. Se a pele estiver manchada, isso pode prejudicar o atleta e fazer com que ele perca pontos", explica Leite.

E como eles conseguem essa cor?

Enquanto alguns optam por fazer bronzeamento artificial com esteticista, a grande maioria é adepta da pintura corporal para obter a cor ideal. "Tem gente que faz sessão de bronzeamento 15 dias antes. E faz uso da tinta um dia antes", conta Leite.

O problema é que tudo varia de acordo com o tom natural de pele da pessoa. "O tom da tinta é padronizado e vai reagir de acordo com o tom de pele da pessoa. Se ela for uma pessoa muito branca, mas tiver um tom de pele amarelado, vai ficar de um jeito. Se for para um tom mais avermelhado, o resultado será outro", explica Kennerly.

O diretor da IFBB-SP FEPAC também destaca que muita gente "inventa moda" quando o assunto é pintura. "Tem gente que usa colorante para bolo, que mistura tinta com pó de café. Já até vi gente usar batom... Aí esses resultados não ficam legais e podem prejudicar o atleta no dia”, diz.

Esfoliação e lençol manchado

Um dos maiores problemas para os fisiculturistas é que o processo de pintura começa um dia antes da competição e precisa ser repetido várias vezes ao dia. “No entanto, antes de passar a tinta, é preciso esfoliar a pele para deixar a superfície limpa para receber a tinta. Você também precisa ter algum conhecido com experiência em pintura, pois não dá para pintar as costas sozinho”, exemplifica Leite.

A pintura pode ser feita com pincel ou rolinho, enquanto o acabamento é feito com esponja. “Depois de passar a tinta, precisa secar com secador e esperar um pouco, pois ficam várias manchas e aí tem que ir acertando a pintura. O chato é que sai tudo na coberta. Então tem que deixar reservado até um lençol velho para o dia da competição”, fala Leite.

No dia da competição, os participantes tem à disposição um espaço reservado para a pintura. "É um jatinho e os participantes só vão trocando a tinta que querem usar para dar o acabamento final", explica Leite.

No fim do campeonato, o drama é outro: voltar a cor natural. “Algumas tintas saem no banho, mas tem outras que demoram mais ou menos uma semana para sair. Tem gente que usa algumas fórmulas que não agridem a pele, como esfoliar com fubá e detergente de coco ou usar água oxigenada volume 40”, conta Leite.

Substância presente na tinta é a mesma de autobronzeadores 

De acordo com Adriano Loyola, assessor do Departamento de Cosmiatria da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), o DHA (dihidroxiacetona), substância presente nas tintas usadas pelos competidores, não faz mal para saúde e está presente em concentrações menores em autobronzeadores de marcas famosas.

“Não é uma substância cancerígena e é aprovada por órgãos de saúde. Essa substância tem uma capacidade de estimular a pigmentação, dando um aspecto bronzeado. Mas precisa usar a tinta com antecedência para ter um resultado natural e uniforme”, explica o dermatologista.

O risco da pintura, assim como das tintas de hena, é o aparecimento de alergias, como dermatite de contato. “Quem nunca usou, precisa aplicar um pouco do produto na pele e avaliar se há vermelhidão e coceira”, fala.

Dependendo da frequência da pintura, Loyola também cita que a tinta aumenta a oleosidade da pele por obstruir os poros. “Isso favorece o aparecimento de espinhas, acnes e cravos, principalmente no peito, nas costas e no rosto”, diz.

Na tentativa de retirar a tinta, o único cuidado dos fisiculturistas é não esfoliar demais a pele. “O produto não sai em uma lavagem. A pessoa pode esfoliar, mas não mais de duas vezes na semana, pois aumenta o risco de eczema, inflamação que causa vermelhidão e coceira na pele”, fala.

A água oxigenada também têm o mesmo risco da tinta de causar dermatite. “Também precisa retirar bem o produto, pois se deixar na pele e tomar sol, pode manchá-la”, explica.

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