Vida saudável

Sophia Alckmin diz ter vitiligo: leia 4 perguntas e respostas da doença

Vivian Ortiz

Do UOL, em São Paulo

21/09/2017 15h32

Sophia Alckmin, filha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, publicou em seu perfil no Instagram uma foto da própria mão para mostrar que é portadora de vitiligo e que "não se envergonha disso". Segundo ela, a doença se manifestou há cerca de dois anos, período que coincidiu com a perda de seu irmão, Thomaz, morto em um acidente de helicóptero. No começo, Sophia disse ter feito algumas sessões de laser para tentar recuperar a coloração da pele, mas achou que não estava dando resultado e hoje só ameniza as manchas com maquiagem.

Tem alguma dúvida sobre a saúde do seu corpo? Mande sua pergunta para o e-mail pergunteaovivabem@uol.com.br que nós encontraremos os melhores especialistas para respondê-la.

Reprodução/Instagram/@sophiaalckmin
Sophia assumiu ser portadora de vitiligo Imagem: Reprodução/Instagram/@sophiaalckmin

"Resolvi aceitá-las. Hoje tenho nas mãos, pés e ao redor dos olhos", contou. "Mas, de verdade, não me incomoda mais, tanto que nem penso nisso. Graças a Deus não afeta em nada a minha vida, poderia, no máximo, afetar a minha vaidade se eu permitisse."

O vitiligo é uma dermatose cuja principal característica é a perda da coloração da pele. Com isso, surgem aquelas manchas brancas, de vários tamanhos e com bordas bem delimitadas, que podem aparecer em qualquer parte do corpo, incluindo mucosas e cabelos.

Essas lesões acontecem pela diminuição ou ausência de melanócitos (células responsáveis pela formação da melanina --pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. Infelizmente, sua causa ainda é desconhecida. Uma das hipóteses é que possa ser uma doença autoimune --quando o próprio sistema imunológico da pessoa ataca e destrói os melanócitos. O UOL conversou com especialistas e traz quatro respostas sobre a doença.

1. Pode surgir em qualquer fase da vida?

Sim, em qualquer momento, desde a infância até a fase adulta. No entanto, muitos pacientes costumam apresentar as lesões por volta dos 24 anos de idade, em diferentes formas de apresentação. Alterações ou traumas emocionais podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença. Também é interessante investigar com seu médico outras doenças autoimunes que podem estar correlacionadas ao vitiligo, como tireoide e diabetes.

2. Como sei que tenho vitiligo? É contagioso?

Não. As manchas de vitiligo não são contagiosas, sendo meramente estéticas. Você pode desconfiar da doença se perceber manchas brancas em áreas de atrito, como cotovelo, joelhos e dedos, entre outros locais. No entanto, muita calma: ter manchas brancas não significa necessariamente vitiligo. Em caso de dúvida, o melhor a fazer é procurar o dermatologista.

O médico deve realizar alguns exames, como testes sanguíneos para verificar os níveis da tireoide e de vitamina B12, entre outros. O exame com lâmpada de Wood (violeta) também ajudam na detecção da doença em pacientes de pele branca.

3. Quais são tratamentos possíveis?

Depende do caso. Quando o paciente está instável, ou seja, em crise e com novas lesões surgindo, é possível usar corticoide na lesão. Em caso de manchas maiores, costuma-se entrar com corticoide via oral por um período de um a três meses, com o intuito de "segurar" o ataque autoimune.

Ao ser estabilizado, uma das opções de tratamento é a fototerapia, que expõe o paciente à ação dos raios ultravioletas A e B. Outras alternativas são empregar tecnologias como o laser e ainda técnicas cirúrgicas ou de transplante de melanócitos --aquelas células responsáveis pela cor da pele. Pessoas com a pele mais escura costumam ter uma resposta mais rápida em qualquer um dos tratamentos.

4. Como funciona a fototerapia? Custa caro?

São necessárias uma média de 30 sessões por ano, cujo custo total será de cerca de 3 mil reais na região Sudeste do país. Em casos mais críticos, há a necessidade de ir ao consultório médico de duas a três vezes por semana, para fazer sessões com duração entre um e quatro minutos. E não adianta querer ficar mais tempo do que o recomendado na máquina, na tentativa de adiantar o tratamento.

Existe um tempo máximo que cada pessoa pode ficar no aparelho por vez. Mais do que isso, há o risco de envelhecimento precoce e câncer de pele, entre outros problemas. Quem se trata pelo Sistema Único de Saúde (SUS) costuma ter disponível a máquina de PULVA, que também funciona, mas possui uma efetividade 50% menor. Mas vale lembrar: controlar a doença é importante, mas o paciente não precisa necessariamente passar pelo tratamento de repigmentação da pele. Assim como Sophia, muitas pessoas optam por usar apenas maquiagem para disfarçar as manchas, se assim quiserem.

Fontes: Dr. Caio Castro, dermatologista e coordenador da América Latina do Consenso Mundial de Vitiligo; Dra. Rosanna Nocito, dermatologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim e Hospital São Luiz Morumbi (SP); Dra. Larissa Viana, dermatologista no no Complexo Hospitalar Padre Bento, de Guarulhos (SP); Daniel Dziabas, dermatologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); Valéria Marcondes, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)

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