Vida saudável

Pais e autismo: após declaração de Mion, conversamos com especialistas

Reprodução/Instagram/marcosmion
Marcos Mion e o filho, Romeu Imagem: Reprodução/Instagram/marcosmion

Gabriela Ingrid

Do UOL

27/09/2017 15h07

Receber o diagnóstico de autismo de uma criança pode afetar os pais e as pessoas próximas a ela de formas diferentes. Medo, preocupação demais ou até mesmo a negação são alguns dos sentimentos presentes no momento da notícia, mas o preparo da família e seu papel é fundamental no tratamento.

Tem alguma dúvida sobre a saúde do seu corpo? Mande sua pergunta para o e-mail pergunteaovivabem@uol.com.br que nós encontraremos os melhores especialistas para respondê-la.

Em uma foto compartilhada recentemente no Instagram, Marcos Mion se declarou para seu filho Romeo, que tem TEA (Transtornos do Espectro Autista): “[...] Somos nossa melhor versão 24 horas por dia por causa deles! [...] Não precisamos de cura, mas sim de compreensão e respeito. Apenas isso!” Não é a primeira vez que o apresentador conta para seus seguidores sobre a rotina com o filho. Mion costuma alertar sobre a conscientização da doença e a dizer sobre como a convivência com Romeo mudou sua forma de enxergar as coisas.

Uma espécie de pane no desenvolvimento neurológico, o transtorno costuma ser identificado quando a criança tem cerca de 1 ano e meio, segundo Erasmo Casella, chefe da Unidade de Neurologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas. “Geralmente é nessa idade que os pais reparam nos primeiros sinais, que vão desde o olhar perdido à inquietação constante ou a movimentos repetitivos, como o abanar de mãos”, diz o médico.

Mas Casella ressalta a dificuldade da família em acreditar no diagnóstico em um primeiro momento: “Uns sentem raiva do mundo outros negam a doença. Mas cada vez mais percebo uma aceitação. Acredito que isso venha do fato que as pessoas estão mais informadas e percebam que, se estimulada e bem tratada, a criança tem uma melhora significativa.”

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A doença atinge mais meninos --quatro para cada menina Imagem: iStock

Papel dos pais é fundamental no tratamento

O tratamento do autismo é multifuncional e precisa englobar tanto a família quanto a escola para ter maior chance de sucesso. Segundo Casella, não existe um medicamento para curar o transtorno, mas sim para alguns sintomas como agressividade e insônia. “A reabilitação, no entanto, é efetiva. Feita com terapia comportamental, que é intensa, ela pode assustar os pais no começo, mas eles têm que entender sua importância”, diz o médico.

Aos olhos dos pais e parentes, a terapia comportamental parece forçar a criança indefensável a fazer coisas que ela não quer, como se fosse um treino pesado. “Mas isso solta o autista. Não sabemos como, mas isso faz com que ele passe a entender melhor a comunicação.”

Boa parte desse tratamento se estende para a própria casa do paciente, e é aí que entra o papel dos pais. “Isso é fundamental. O tratamento dá muito certo quanto os pais estão envolvidos. É nessa hora que as crianças vão aprender a fazer tudo”, diz Casella.

Incentivá-las e ensiná-las a fazerem coisas básicas como se vestir e escovar os dentes é essencial para o desenvolvimento, mas é preciso tomar cuidado com a superproteção. “É muito importante o desenvolvimento da independência e da compreensão de limites”, afirma Ana Maria Mello, superintendente do AMA (Associação de Amigos do Autista).

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É importante dar continuidade em casa ao trabalho realizado pelos especialistas Imagem: iStock

A família e os amigos devem se informar

“Familiares e amigos têm que entender o que a criança tem. Convidá-los a socializar com o paciente ajuda muito. E o mesmo vale para os amigos da escola”, indica Casella. Ana também recomenda a orientação em grupos de apoio: “De maneira geral, é importante que a família se informe o máximo possível. Uma associação de pais desempenha um papel muito importante porque propicia informação, orientação e troca de experiências.”

Além disso, o afeto e a proximidade dos pais é imprescindível para a criança se sentir acolhida e segura: “A palavra-chave, para mim, é amor. Um amor tão grande que nos conduz a fazer tudo que for possível para ajudar o filho a se desenvolver, adquirir noção de limites, autocontrole e a maximizar sua capacidade de aprendizado, para que todo o potencial que ele tiver possa ser desenvolvido”, conclui Ana.

 

 

Um fds perfeito para mim é isso! ?? . . . Tempo para poder dedicar a cada um! Criar laços inquebráveis é isso! Não é chegar com presente, esperar a criança abrir e sair de perto achando que "fez sua parte". Não é sair pra passear para comprar presente, mas sim para conversar, se dedicar a um treino, a alguma dificuldade que seu filho esteja passando e até ficar em silêncio ao lado esperando surgir alguma dúvida daquelas, alguma conversa que só aparece quando a criança está segura com a cabeça relaxada, fluindo! E que nos dão a chance de provar que somos bons pais!! . . . Fds todo com minha gata @suzanagullo , dancing con Romeozão, treino com a Doninha, Lego com o Tefo entre tantas outras coisas deliciosas que marcam muito mais minha vida do que a vida deles! #FamilyFirst

Uma publicação compartilhada por Marcos Mion (@marcosmion)

 

 

 

 

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