Vida saudável

Dietas podem fazer você comer mais até quando já está satisfeito

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Do UOL

02/10/2017 12h00

Quando a fome bate, geralmente a interpretamos como um sinal para ir atrás de comida. No entanto, quando estamos satisfeitos, encaramos isso como um alerta de que devemos parar de comer. Pelo menos era assim que a ciência explicava nossos hábitos alimentares --até agora.

Tem alguma dúvida sobre a saúde do seu corpo? Mande sua pergunta para o e-mail pergunteaovivabem@uol.com.br que nós encontraremos os melhores especialistas para respondê-la.

Um estudo recente, publicado no periódico “Psychological Science”, mostra que essas associações podem ser aprendidas ao contrário, de modo que a saciedade se torna uma sugestão para comer mais e não menos.

"Nós já sabemos que as dietas extremas são suscetíveis a falhas. Uma das razões pode ser que a inibição de comer, aprendida enquanto a pessoa está com fome, não se transfere bem para um estado sem fome", diz o cientista psicológico Mark E. Bouton, da Universidade de Vermont (EUA), um dos autores do estudo. "Se assim for, o indivíduo pode ter ‘recaídas’ ou talvez comer demais quando se sentir satisfeito novamente."

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Segundo o estudo, sensações como fome e saciedade podem ser aprendidas Imagem: iStock

Experimentos com ratos mostraram como funciona o aprendizado alimentar

Para testar essa hipótese, Bouton e o coautor Scott T. Schepers realizaram um estudo com 32 ratos. Durante 12 dias, os animais --que já estavam saciados-- participaram de uma sessão diária de condicionamento de 30 minutos. Eles foram colocados em uma caixa que continha uma alavanca e aprenderam que receberiam deleites saborosos se a pressionassem. Nos próximos quatro dias, os ratos foram colocados na mesma caixa enquanto estavam com fome e descobriram que a alavanca, quando pressionada, não liberava guloseimas.

Após essas duas fases, os animais foram condicionados a associar a saciedade com o recebimento de comida saborosa e a fome a não receber comida. Depois, eles foram colocados novamente na caixa e pressionaram a alavanca com mais frequência quando estavam satisfeitos do que com fome. Em outras palavras, tiveram recaídas para buscar guloseimas.

"Ratos que aprenderam a responder por alimentos saborosos enquanto estavam cheios e depois inibiram seu comportamento com fome tendiam à recaída quando estavam cheios novamente", explica Bouton.

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Estudos com ratos de laboratório mostraram que o comportamento alimentar não depende apenas das necessidades fisiológicas Imagem: iStock

Podemos aprender quando devemos ir atrás de comida

Os achados de três estudos diferentes apoiaram a hipótese dos pesquisadores de que a fome e a saciedade poderiam ser aprendidas. Juntos, esses resultados mostraram que buscar ou não alimentos são comportamentos específicos do contexto em que são aprendidos.

Embora nosso corpo possa conduzir o comportamento de busca de alimentos de acordo com as necessidades fisiológicas, essa pesquisa sugere que as ações relacionadas a alimentos também podem se associar à fome ou saciedade.

"Uma grande variedade de estímulos pode orientar e promover comportamentos específicos através da aprendizagem. Por exemplo, ver, ouvir e sentir o cheiro do seu restaurante favorito pode sinalizar a disponibilidade de sua comida favorita, fazendo com que sua boca aqueça e, finalmente, guie-o para comer ", diz Schepers e Bouton.

"Assim como a visão, os sons e cheiros, as sensações internas também podem orientar o comportamento, geralmente de formas adaptativas e úteis: aprendemos a comer quando sentimos fome e aprendemos a beber quando sentimos sede. No entanto, estímulos internos como fome ou saciedade também podem promover o comportamento de maneiras que não são tão adaptativas."

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