Vida saudável

Não consegue segurar o xixi ao dar risada? Pode ser incontinência urinária

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Maria Júlia Marques

Do UOL, em São Paulo

02/10/2017 04h20

Quando ficamos presos no trânsito com vontade de ir ao banheiro não vemos a hora de chegar em casa para não fazer xixi na calça. Mas nem todo mundo consegue evitar esse tipo de acidente. Quem sofre de incontinência urinária não tem controle da bexiga e perde urina involuntariamente.

Tem alguma dúvida sobre a saúde do seu corpo? Mande sua pergunta para o e-mail pergunteaovivabem@uol.com.br que nós encontraremos os melhores especialistas para respondê-la.

"Na minha família, todas as mulheres sofrem com a doença e não é fácil", afirma uma paciente com bexiga hiperativa que preferiu não se identificar. "Cheguei a fazer xixi na calça três vezes por semana, sempre tinha uma calcinha extra na bolsa e absorventes para diminuir os danos", explica. "Já paguei mico até no elevador da casa da minha sogra. Nesse dia, até precisei usar cueca do meu cunhado por não ter conseguido segurar", conta.

As gotinhas de xixi saem sem dar aviso independentemente da idade, mas são mais frequentes nas mulheres --pela própria anatomia do corpo e procedimentos ginecológicos como o parto. A condição pode ser constrangedora, mas existem alternativas para poupar o paciente. Antes de começar o tratamento, é importante identificar o tipo de incontinência. Sim, existem alguns tipos. Veja abaixo:

De esforço: É a mais comum, atinge 50% dos pacientes com incontinência. Ocorre quando o assoalho pélvico --responsável por sustentar órgãos que estão no abdômen, como a bexiga-- fica enfraquecido. Pequenos esforços, como tossir, rir ou até levantar, prejudicam o funcionamento da bexiga e do esfíncter (nossa válvula para saída da urina), e a incontinência aparece.

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A doença é mais comum em mulheres, mas também aparece em homens Imagem: iStock
De urgência: É quando a vontade de urinar é tão forte que não dá tempo de chegar ao banheiro, mesmo com pouco xixi na bexiga. Acontece que, em condições normais, a bexiga só é ativada na hora de esvaziar. Mas quem tem problemas de urgência, como bexiga hiperativa, sofre contrações do músculo a qualquer momento e o xixi acaba "fugindo".

Mista: Neste caso, o paciente sofre com sintomas dos dois tipos citados anteriormente.

Menos comuns: Também é possível ter incontinência por transbordamento, quando a pessoa segura demais e o xixi transborda da bexiga, e “vaza” nas roupas. Outro caso é ter incontinência por fatores neurológicos, que se dá quando há uma falha de comunicação entre o cérebro e o sistema urinário e o corpo não controla a urina devidamente.

Mas de onde vem a incontinência?

Em primeiro lugar, temos que ter em mente que eliminar urina sem querer nunca é normal. Pode ser que você tenha uma pré-disposição para incontinência se existirem casos na família, mas também é possível que outros motivos tenham influenciado o aparecimento do xixi incontrolável.

A gravidez é um dos fatores de risco. O parto normal pode causar lesões na musculatura, ligamentos e nervos da região pélvica, condições que levam ao escape de urina. E a cada filho as chances de incontinência aumentam, pelas mudanças e desgastes na anatomia do assoalho pélvico.

Aquelas que fizeram cesárea não estão imunes. Durante a gestação, o peso do bebê sobrecarrega a região pélvica, pressionando a bexiga e forçando a saída do xixi. É a mesma lógica em casos de obesidade, o peso do corpo fica maior do que a bexiga suporta e leva à incontinência.

Falando em manter o peso, saiba que exercícios físicos não causam a perda involuntária de urina, a não ser em treinos avançados de alto impacto. O que acontece com frequência é que mulheres descobrem a doença ao começar a treinar na academia, já que as atividades costumam exigir força ou tem forte impacto, contextos difíceis de segurar o xixi.

Nos homens, operações de câncer de próstata podem machucar enervações do sistema urinário, como o esfíncter, e causar problemas de escape. Apesar de os casos de incontinência acontecerem em qualquer idade, o envelhecimento aumenta as chances. Com o tempo, nosso corpo se enfraquece por inteiro e com a bexiga e o assoalho pélvico mais frágeis a incontinência fica mais provável.

Como tratar?

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O fisioterapeuta ensina como trabalhar os músculos do assoalho pélvico e ter mais controle da bexiga Imagem: iStock
Se o caso for leve, o indicado é um tratamento conservador e pouco invasivo. Exercícios com um fisioterapeuta bastante são indicados. Eles ensinam a contrair os músculos da pélvis e ter maior controle ao fazer xixi. São atividades diárias que consistem em contrair o períneo em diversos contextos, principalmente nos momentos em que o paciente nota maior escape de urina. Em seis meses o paciente pode não ter mais episódios de vazamentos.

Mudar a rotina também é aconselhável, começando por tentar ser mais saudável, evitar alimentos que deixem a bexiga hiperativa, como o café, e se manter no peso ideal para não pressionar a bexiga. Não fumar também é importante, já que os cigarros aumentam quadros de tosses, causando maior esforço abdominal e assim pressionando mais a bexiga. Quando o assunto for bebidas alcoólicas, evite. Por estimular muitas idas ao banheiro, o álcool também não é recomendável, porque pode distender a bexiga.

Uma boa dica dos médicos é programar as idas ao banheiro para manter a bexiga vazia, diminuindo chances de acidentes. Já nos casos graves, é possível operar. Quando o paciente tem bexiga hiperativa, a solução mais utilizada é aplicação de botox. A substância deixa a bexiga mais estável, evitando os escapes.

Para quem sofre com incontinência de esforço grave, a cirurgia mais feita é a de sling. Minimamente invasivo, o tratamento se baseia em colocar uma fita abaixo da uretra com o objetivo de aumentar a resistência e suspender a região, reduzindo a perda de urina.

Fontes: Fábio Area, urologista do Hospital 9 de Julho, Flavio Trigo Rocha, coordenador do Centro de Incontinência Urinária do Hospital Sírio-Libanês, José Carlos Truzzi, da Sociedade Brasileira de Urologia, Élvio Floresti Junior, ginecologista e obstetra, e Joceara Reis, fisioterapeuta.

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