Saúde

Consumidor está exigindo alimentos perfeitos, diz pesquisador da Monsanto

Rogério Albuquerque
John Purcell segurando couve-flor com tecnologia Brilliant White Imagem: Rogério Albuquerque

Gabriela Ingrid

Do UOL

27/10/2017 04h00

Faz tempo que os alimentos se moldaram ao gosto do consumidor, ganhando formas mais agradáveis aos olhos. Mas estamos entrando em uma nova era de frutas e vegetais “perfeitos”. As opções parecem até enfeites de mesa: tomatinhos perfeitamente redondos em cachos, enormes melancias vermelhas e doces e até uma couve-flor com cor de pasta de dente.

“Os hábitos alimentares da população mudaram. No mundo desenvolvido, as pessoas querem uma experiência alimentar e isso significa um sabor diferenciado e mais conveniência”, diz John Purcell, líder global de pesquisa e desenvolvimento de vegetais da Monsanto, líder do mercado de sementes geneticamente modificadas.

Rogério Albuquerque
A melancia Red Heaven é mais doce e se tornou a queridinha dos consumidores Imagem: Rogério Albuquerque

O que é alimentação saudável?

Purcell, que é químico PhD em biologia molecular e celular pela Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, explica que o que eles tentam fazer nos alimentos geneticamente modificados é aperfeiçoar as características dos produtos, mas também melhorar o sabor e ter certeza de que os valores nutricionais dos alimentos são mantidos.

Mas para a conselheira do CFN (Conselho Federal de Nutricionistas), Regina Rodrigues de Oliveira, as pessoas precisam entender que os alimentos não são produtos padronizados. “Quando o conceito de comida saudável se aliou à estética, criou-se uma produção que impactou a vida, o meio ambiente e a soberania alimentar de diversos povos brasileiros”, diz.

Consumidor está mais exigente

Segundo Purcell, a empresa entrega uma demanda que vem do consumidor. “Quando eu era criança, sempre tinham certos tipos de alimentos em determinada época do ano. Agora, a maioria das pessoas entra no supermercado e quer comprar o que ela quiser, com o sabor e as características que ela quiser, o que coloca bastante pressão nos produtores, porque eles têm que produzir com base na demanda de seus consumidores.”

Regina acredita no movimento contrário, de explicar às pessoas que os alimentos podem apresentar tamanhos e cores diferentes sem perder as suas propriedades. “Classificá-los por tamanho ou forma atende apenas às imposições do mercado”, diz.

iStock
Segundo conselheira do CFN, a escolha baseada em alimentos “perfeitos” contribui para o desperdício e eleva os preços Imagem: iStock

Já o pesquisador da Monsanto diz que seu alimento ainda evita o desperdício. “Essa é uma das vantagens dos avanços que estão ocorrendo nos vegetais. Porque além de podermos ter frutas e vegetais com mais tempo de prateleira, fazemos com que esses alimentos tenham um sabor melhor, batendo de frente com o grande mal da sociedade atual: os ultraprocessados.”

Regina defende que as escolhas alimentares devem ser baseadas em valores nutritivos, culturais, afetivos, ambientais e sociais sobre o que entendemos como alimento. “Essa supervalorização à estética não tem sustentabilidade. Sempre repito uma frase que atualmente foi utilizada pelo escritor Michael Pollan: ‘Coma aquilo que sua vó entendia como comida’.”

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