Saúde

Sofreu com Will em 'Stranger Things'? Distúrbio citado existe de verdade

Divulgação/Netflix
Imagem: Divulgação/Netflix

Gabriela Ingrid

DO UOL

01/11/2017 15h28

No primeiro episódio da segunda temporada da série "Stranger Things" (Netflix), o personagem Will Byers (Noah Schnapp) começa a ter pequenas crises que o transportam por um breve período para o “Mundo Invertido”. Preocupada, sua mãe, Joyce Byers (Winona Ryder), o leva para ser consultado e recebe o diagnóstico de algo chamado de “efeito aniversário”, porque faz um ano de seu desaparecimento.

“Nós vemos isso em soldados”, diz o médico aos dois. “O aniversário do evento traz de volta memórias traumáticas, que abrem as portas neurológicas, por assim dizer.” Joyce pergunta o que deve fazer quando Will passar por isso e o especialista diz que todos devem tratá-lo normalmente. "Parece contra intuitivo, eu sei. Mas asseguro que é realmente a melhor coisa que você pode fazer por ele", diz ele.

Reprodução/REUTERS/Mario Anzuoni /Montagem
No começo da segunda temporada, Will, interpretado por Noah Schnapp, revive frequentemente episódios no "Mundo Invertido" Imagem: Reprodução/REUTERS/Mario Anzuoni /Montagem

“Efeito aniversário” traz de volta sintomas do transtorno

Apesar de não ser exatamente o que Will teve, já que em suas crises ele de fato ia até o "Mundo Invertido", o TEPT (transtorno do estresse pós-traumático) é um distúrbio caracterizado pela dificuldade de recuperação após a vivência ou testemunho de um acontecimento assustador. “É como quando comemos algo pesado e nosso estômago não consegue digerir, só que, nesse caso, é nossa psique que não consegue digerir o acontecimento”, explica Gabriela Malzyner, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP. 

Seguindo a analogia da digestão, o TEPT faz com que os “alimentos” fiquem voltando, como um refluxo. Entre os sintomas estão pesadelos ou lembranças repentinas, fuga de situações que relembrem o trauma, reações exageradas a estímulos, ansiedade e humor deprimido.

O tratamento inclui diferentes tipos de psicoterapia ou medicamentos para tratar os sintomas. “Às vezes, o próprio sonho da pessoa a ajuda a superar essa angústia”, diz Gabriela.

Segundo a psicóloga, mesmo após o tratamento, e assim como qualquer evento importante, o episódio é lembrado em ciclos, sendo comumente recordado no dia de seu aniversário. Os sintomas não são diferentes aos associados ao TEPT e podem incluir pensamentos ou sonhos sobre o evento.

O que fazer nesse momento? O mesmo que o médico de Will sugeriu: agir normalmente. “A pessoa tem que viver, entender o que aquilo representa para ela e até comemorar que aquilo tudo já passou”, diz Gabriela.

iStock
Novo estudo encontra relação entre bactérias do intestino e o TEPT Imagem: iStock

Microbiota pode ter relação com predisposição ao TEPT

Apesar de ter relação direta com o cérebro, o transtorno pode ter origem no intestino, segundo um novo estudo. A pesquisa, da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, descobriu que o estresse pode limitar o crescimento bacteriano e afetar o revestimento do intestino, permitindo que as bactérias entrem na corrente sanguínea e causem inflamação, o que, por sua vez, pode desencadear certos distúrbios psiquiátricos.

"Nós levantamos a hipótese de que níveis baixos de três tipos de bactérias no estômago podem resultar em uma desregulação na imunidade e em níveis elevados de inflamação em indivíduos com TEPT, o que pode contribuir para os sintomas da doença", explicou Malan-Muller, uma das pesquisadoras. Entretanto, os cientistas não ainda não foram capazes de determinar de o déficit de bactérias contribuiu para a susceptibilidade ao TEPT ou se ela ocorreu justamente devido ao transtorno.

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