Saúde

Diabetes tem cura? Confira 8 perguntas e respostas sobre a doença

iStock
Imagem: iStock

Chloé Pinheiro

Colaboração para o UOL

15/11/2017 04h15

Diabetes é um dos males mais comuns no Brasil --só no país, são 14 milhões de portadores. “E metade delas não sabe que tem a doença”, destaca a endocrinologista Solange Travassos, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Para mudar o cenário, os especialistas garantem: é preciso falar mais sobre o assunto. “Infelizmente, a maior parte do dinheiro gasto com a doença é para tratar suas sequelas, que são graves e aparecem só depois de anos de descontrole”, aponta Carlos Eduardo Barra Couri, endocrinologista e pesquisador da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto.

O inimigo é silencioso e, por conta disso, muitas vezes fatal. A Organização Mundial de Saúde estima 1,6 milhões de mortes anuais diretamente causadas pelo diabetes e outras 2,2 milhões na conta da glicose descompensada.

Abaixo, veja dúvidas sobre o assunto esclarecidas por médicos:

1) O que é o diabetes?

Basicamente, excesso de açúcar em circulação no sangue. “Dentro desse espectro, são mais de trinta doenças, sendo as principais o diabetes tipo 1, o tipo 2 e o gestacional”, conta Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. A diferença entre elas está no motivo que desregula a glicose.

No tipo 1, há uma falha na produção de insulina, o hormônio que coloca o açúcar para dentro das células. É uma doença autoimune que atinge o pâncreas, órgão responsável pela fabricação da substância. Já no tipo 2, responsável por até 90% dos casos, primeiro o organismo não consegue lidar muito bem com a insulina produzida, um problema chamado resistência à insulina. Para compensar o açúcar sobrando, o pâncreas aumenta a secreção do hormônio, só que com o tempo esse trabalho dobrado não só prejudica o órgão, mas deixa de fazer efeito.

O diabetes gestacional costuma ocorrer depois da 20ª semana de gravidez. “A placenta passa a produzir hormônios que vão contra a ação da insulina, e esse quadro pode evoluir para o tipo 2 depois do nascimento”, elucida Zilli.

2) Quais são os sintomas do diabetes?

Basicamente muita sede, produção elevada de urina e perder peso mesmo com o apetite elevado. No tipo 1, tudo acontece muito rápido. “De uma hora para outra a pessoa deixa de ter insulina circulante, então os sintomas são muito evidentes”, explica Solange.

Mas no tipo 2, que é mais silencioso, esses alertas demoram para ser percebidos. Por isso, o distúrbio pode ser descoberto só quando a pessoa tiver alterações visuais e infecções de pele. O que, aliás, é sinal de que a doença está descontrolada há algum tempo. “Quem tem os fatores de risco deve fazer os exames preventivos logo para controlar o seu avanço”, comenta Couri.

3) Quem tem maior risco de ter diabetes?

A partir dos 45 anos, todos devem medir a glicemia ao menos uma vez ao ano. Mas, segundo os especialistas, um grupo bem abrangente de pessoas fazer o teste periodicamente independentemente da idade que tiverem: colesterol LDL ou triglicérides elevados; hipertensos; portadores de doenças cardiovasculares; mulheres com síndrome do ovário policístico; mulheres que tiveram filhos nascidos com mais de 4 quilos; pessoas com parentes próximos portadores de qualquer tipo de diabetes

4) O que é o pré-diabetes? É possível revertê-lo?

É uma condição que antecede o diabetes e é praticamente imperceptível, mas não deve ser ignorada. “O nome engana, pois ele já é uma doença que provoca maior mortalidade mesmo que a pessoa não chegue a ficar diabética. Para se ter ideia, 10% dos portadores desse quadro já têm lesões nos olhos ou nos rins”, alerta Couri. “E estima-se que sejam 11 milhões de pré-diabéticos no Brasil”, continua o médico.

Se encaixa aqui quem tem algum desses três critérios: glicemia em jejum entre 100 e 126mg/dl, resultado no teste oral de tolerância à glicose entre 150 e 199 ou hemoglobina glicada entre 5,7 e 6,4%. Mais importante do que esses números, o importante é saber que não é possível reverter o quadro, e sim controlá-lo para que ele não evolua para o diabetes em si.

As providências incluem especialmente mudanças no estilo de vida, especialmente exercícios, alimentação e dieta, mas até remédios se for o caso. “Perder 5% do peso já ajuda”, aponta Zilli.

5) Como é feito o diagnóstico?

Com os mesmos testes acima, que identificam a presença da glicose descompensada no sangue. A glicemia em jejum detecta o nível de açúcar e, se ele estiver acima de 126mg/dl, é bem provável que o diabetes já esteja instalado. Já a hemoglobina glicada dá uma média da glicose circulante nos últimos 90 dias, e se o resultado for acima de 6,5%, é outro indício importante de que a doença está presente.

A curva glicêmica, que analisa como o corpo reage à ingestão de açúcar em diversas etapas ao longo de um período de tempo, ajuda a confirmar o diagnóstico.

6) Todo diabético precisa tomar insulina?

Quem tem o tipo 1 da doença sim, porque é ela que falta. Já no tipo 2, primeiro os médicos prescrevem remédios para melhorar a ação e a produção desse hormônio. “Geralmente são dois ou três medicamentos orais combinados e a insulina entra só quando eles deixam de fazer efeito”, detalha Couri.

É importante dizer também que o tratamento funciona, mas o efeito é outro quando mudanças na alimentação e nos hábitos de vida são levadas a sério. “O mesmo medicamento tem benefícios diferentes em quem colabora ou não. O exercício físico, por exemplo, diminui a resistência à insulina e baixa o nível de glicose”, explica Couri.

7) Dá para prevenir o diabetes?

Sim! É esse, aliás, o ponto mais importante dessa história. “A epidemia que temos hoje ocorre em grande parte por conta dos maus hábitos de vida”, destaca Couri. Até há uma certa genética por trás do diabetes tipo 2, o mais popular, mas é o excesso de peso, o sedentarismo e a má alimentação que desregulam de vez a relação entre insulina e glicose.

Não é à toa que essa é a variedade que mais preocupa os médicos. Como evolui lentamente, acaba levando a complicações sérias, como amputações e problemas na visão. “Para se ter ideia, ele é a maior causa de cegueira no mundo em pessoas em idade produtiva, e isso poderia ser evitado em mais de 95% dos casos com informação e ações preventivas”, reforça Solange.

8) Diabetes tem cura?

Não. Existem alguns estudos em andamento que tentam usar células-tronco para curar o pâncreas deficiente do portador do diabetes tipo 1, e tecnologias já disponíveis melhoram muito o controle nos níveis de insulina. Mas a doença é crônica e exige acompanhamento multidisciplinar pela vida inteira, mesmo que a glicemia esteja controlada. Já para quem sofre com diabetes tipo 2, a boa notícia é que, caprichando no estilo de vida saudável, é possível até reduzir o número de medicamentos tomados e viver sem medo de sequelas.

 

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba seu horóscopo diário do UOL. É grátis!

do UOL
Cintia Cercato
BBC
BBC
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
Agência Estado
Agência Estado
Agência Estado
do UOL
do UOL
BBC
BBC
do UOL
BBC
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
BBC
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Redação
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Topo