Construção e reforma

Qual percentual médio do orçamento corresponde a cada etapa da obra

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Imagem: Getty Images

Giovanny Gerolla

Colaboração para o UOL

28/11/2016 16h12

Orçar uma obra é uma tarefa complexa, mesmo considerando uma casa básica, de porte médio (pouco mais de 100 m²) e com terreno apto para receber a edificação. O proprietário precisa saber não só quanto ele tem para gastar, como a forma de distribuir o orçamento com prudência do projeto aos acabamentos.

A ideia é olhar a construção ou a reforma de modo global e adaptar seus investimentos: se a residência precisa de fundações elaboradas, porque o terreno é muito inclinado, o dono terá que investir menos dinheiro (ou poupar mais) para os detalhes.

Mesmo que o estudo seja bem feito, o orçamento de uma obra é uma estimativa: na construção civil você tem a ideia, projeta, calcula um preço e só depois constrói. É um processo que pode requerer meses de trabalho e que está sujeito a imprevistos.

A métrica sagrada é aquela que indica que, do gasto total, 60% será com materiais e 40% com a mão de obra. No jogo do "tira e põe", a somatória não pode ultrapassar os 100% do valor definido para a empreita como um todo. 

Fontes: Ricardo Sobral P. Ribeiro, pós-graduado em Gerência de Projetos pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e sócio-diretor e gerente da GCAT; Rodrigo Sabino Fleury, diretor executivo da DGL Urbanismo e professor do Núcleo de Engenharia do Instituto Mauá de Tecnologia; Rosângela Castanheira, especialista com MBA em Gestão Estratégica de Custos IBEC (Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos) e sócia-diretora da Tríade Engenharia de Custos.

Obra em 10 etapas

  • Projeto, aprovações na prefeitura e outras burocracias: de 3% a 5%

    Ter um projeto é essencial para melhor prever as etapas da obra, conseguir orçá-la e planejar um cronograma. Não tê-lo significa descobrir mais problemas e pensar em mais soluções no meio do caminho, acarretando atrasos e custos acima dos esperados. Sobre as burocracias, não tem jeito: faça tudo certinho e dentro dos prazos.

  • Preparações preliminares: até 3%

    Antes de começar, é preciso preparar o canteiro: mobilizar equipes; construir instalações provisórias, como um barracão para depositar materiais e guardar ferramentas; instalar tapumes, quadro de energia e betoneiras, entre outras providências. Esta infraestrutura é variável de acordo com o porte da obra e as condições do local.

  • Fundações: de 3% a 7%

    Inclui escavações e movimentações de terra para regularizar o lote; um eventual muro de arrimo, caso o terreno seja inclinado; e a própria fundação. Considere, em uma construção convencional sobre terreno firme e seco, os gastos com fôrmas, aço e concreto. Condições como encharcamento ou inclinação do solo demandam aumentos nos custos.

  • Estrutura: de 12% a 20%

    São os pilares, vigas e lajes de concreto armado feitos no local ou as lajes pré-moldadas. Para casas térreas, nem sempre há a necessidade de pilares, o que diminui o valor da etapa. Os sobrados requerem mais cuidados estruturais, desde a fundação. Para os que optam pelos sistemas industrializados (metálicos, 'steel frame' ou 'wood frame'), o gasto com material é maior, mas a mão de obra é mais em conta, porque a execução será muito mais rápida.

  • Fechamentos: de 10% a 19%

    Inclui os materiais para as alvenarias (tijolos, cimento, areia etc.); muros que cercam a casa; janelas; portas e portões. A alvenaria é o menos custoso - 6%, em média. Os outros elementos variam, pois dependem do tipo eleito. Por exemplo, há caixilhos de alumínio, ferro, PVC e madeira (entre outros) sob medida ou não, com mais ou menos vidros que podem dar forma a portas e janelas. Para que fizéssemos esta estimativa, foram consideradas portas e janelas de alumínio, padrão. Portanto, pesquise bem antes de sair passando o cartão. Leia mais

  • Cobertura: de 3% a 5%

    O montante se baseia em um telhado convencional, de quatro águas. Na conta entram a estrutura de madeira (ou metal), as telhas cerâmicas (mais comuns), calhas, rufos e impermeabilizações. Agora, se houver grandes inclinações, no estilo Campos do Jordão, o custo ultrapassa essa estimativa.

  • Instalações elétricas: 8%, em média

    Não são apenas fios: há conduítes, interruptores e tomadas, quadros de força, disjuntor diferencial residual (DR), cabos para dados e telefonia e, se você não exagerar no glamour e no design, poderá incluir aqui também o valor das luminárias. Uma dica dos engenheiros é considerar a instalação de um sistema de aterramento, afinal, é isto que faz as tomadas com três pinos serem mais seguras. Aliado a este, vale pensar também em um "plus" para evitar raios.

  • Instalações hidráulicas: de 9% a 12%

    Além dos tubos de PVC, coloque neste pacote as caixas d'água, metais e louças para cozinhas, banheiros e lavanderias. Se houver instalações específicas para água quente e gás, compute nessa etapa. Uma boa é pensar em um sistema para o reúso de água da chuva: ele elevará a porcentagem de gastos, mas em longo prazo trará economia, sem falar no bem ao meio ambiente.

  • Acabamentos internos e externos: de 20% a 38%

    É nesta hora que os olhos brilham e o bolso pesa. Não se iluda com travertinos, cerâmicas retrô e um piso de madeira natural se a poupança para a obra for justa. Para se manter no patamar dos 20%, invista em argamassas pré-fabricadas, cerâmicas mais simples e porcelanatos com bom custo benefício, além da boa e velha tinta (com qualidade).

  • Limpeza, retoques e arremates: de 1% a 2%

    A obra acabou, mas a bagunça está lá: se quiser uma limpeza profissional para preservar os materiais recém-instalados, essa é a hora. Além disso, desmobilizar a equipe pode ter custos, bem como o direcionamento de restos de materiais e equipamentos. Nessa porcentagem, também inclua um ou outro reparo de última hora. Leia mais

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