Comportamento

"Bullying é questão de todos, deve ser tratado com exaustão", diz psicóloga

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Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

21/10/2017 14h31

O adolescente de 14 anos que matou dois colegas na última sexta-feira (20) em uma sala de aula em Goiânia disse, em depoimento à polícia, que se inspirou nos tiroteios de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro. Além de dois garotos mortos, há outros quatro alunos feridos e internados. O crime, que aconteceu na escola particular Colégio Goyases, chama a atenção por envolver questões de alarme da vida escolar. O UOL conversou com uma especialista sobre a importância de pais, educadores e escola tratarem o bullying com seriedade e cuidado. 

    Tragédia é sintoma de algo inflamado há um tempo

    Para a psicóloga Ana Olmos, que atende crianças, adolescente e suas famílias há mais de 30 anos, o caso é cheio de camadas, mas algumas questões nele gritam por atenção. "A começar por como o bullying é tratado por nós. Essa é uma questão de todos que participam da vida de uma criança ou de um adolescente e deve ser conversada e exposta com exaustão dentro das escola e famílias. É importante que saibamos: quando uma tragédia como essa acontece, é quase sempre um gatilho, um sintoma de algo que já estava inflamado há algum tempo." 

    O adolescente que cometeu o crime disse em depoimento que começou a pensar em atirar contra os colegas há cerca de dois ou três meses, quando “começou a se inteirar” do assunto. Não se pode dizer, porém, segundo o delegado Luis Gonzaga Júnior, que investiga o caso, que a situação vinha realmente sendo planejada desde então.

    "Ao que sabemos, não foi por impulso, houve tempo de pensar, de se decidir como agir. Me pergunto se o bullying que o garoto sofria nunca foi observado dentro da sala de aula por alunos e professores. Me pergunto ainda se os pais desse rapaz não notaram que ele poderia estar em sofrimento pelo que passava na escola", questiona Olmos. 

    DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
    Vigília é realizada na porta da escola particular Colégio Goyases Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

    A psicóloga continua: "Por que somente paramos para pensar em bullying quando ele chega nessas dimensões?! Bullying é diário e é tão antigo quanto às escolas. Devemos nos comprometer a ouvir nossos filhos, devemos exigir que as escolas ou quaisquer instituições onde eles estão façam o mesmo. Conversa é fundamental, cria vínculos e evita 'guardar feridas'".

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    Por fim, Olmos fala do acesso que o aluno atirador teve à arma usada. "Tudo fica mais delicado quando pensamos nisso. Para além da raiva do menino, que se achou acima da lei e entendeu que podia matar, existe uma arma de fogo na história, uma arma da qual ele não deveria ter tido acesso."

    Ainda de acordo com o delegado, uma das vítimas fatais era o principal autor das chacotas que motivaram o adolescente a cometer o crime. “Ele resolveu executar e matar pessoas. Primeiro esse colega, desafeto dele, e em seguida, ficou com vontade de matar mais. Isso no momento da execução. Ele inclusive se prontificou e falou para todo mundo ‘vocês vão todos morrer’”, relatou.

    Inspiração em outros crimes

    “O adolescente agiu motivado pelo bullying que sofria de outro adolescente. Segundo informação do próprio, ele se inspirou em duas tragédias. Uma que aconteceu [em 1999] nos Estados Unidos, no colégio Columbine, e outra [em 2011] no Realengo, no Brasil. Dessa inspiração fez nascer a ideia nele. Depois, motivado por esse bullying que sofria por parte de um de seus colegas, ele resolveu executar e matar pessoas”, contou Gonzaga. 

    O delegado disse à imprensa, entretanto, que o adolescente não relatou, em seu depoimento, já ter feito alguma reclamação à escola sobre os ataques que estava sofrendo. Funcionários do colégio também afirmaram à polícia que não havia registro de bullying em relação ao jovem que cometeu o crime.

    O garoto é filho de policiais militares e usou a arma da mãe, uma pistola calibre .40. O pai do rapaz disse que a arma ficava escondida em um móvel da casa e o garoto teria visto um dos pais guardando a pistola. 

    O destino do atirador vai para as mãos do Ministério Público

    O autor dos disparos foi apreendido e, conforme o resultado final da investigação, pode pegar até três anos de internação. Abalada, a mãe do garoto foi internada em uma clínica particular da cidade. O processo será encaminhado ao Ministério Público. O pai do adolescente deve prestar esclarecimentos à corregedoria da Polícia Militar, que abrirá investigação para apurar como o garoto teve acesso à arma.

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