Comportamento

HD do cérebro está cheio? O problema pode ser a sua concentração

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Marina Oliveira e Veridiana Mercatelli

Colaboração com o UOL

05/11/2017 04h00

Você já teve a impressão de que não tem mais onde colocar informação no seu cérebro? Com a vida atribulada, é comum que a gente sinta que nosso “HD interno” esteja operando acima da capacidade. A boa notícia é que não há um limite para o nosso espaço de memória. A má é que estamos assimilando mal as informações que recebemos.

O que interfere na memória não é o volume de dados acumulado no decorrer da vida, mas a avalanche de informações recebidas diariamente, que afetam a nossa concentração. “Se você não tem atenção, não tem como memorizar. A atenção é um pré-requisito para a memória”, explica o neurologista Paulo Bertolucci, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

Para memorizar é preciso assimilar, que acontece quando os nossos sentidos captam aquela informação -- ao ver, cheirar, tocar, saborear ou escutar. Porém, se lidar com ela de maneira superficial -- como se estivesse vendo postagens no Instagram despretensiosamente -- não vai conseguir reter.

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Segundo o neurocientista Ivan Izquierdo, do Centro de Memória da PUC-RS, temos condição de nos lembrar de tudo o que for importante. “Podemos lembrar muitos números de telefones. Nossa capacidade de memória é muito maior do que pensamos”, fala.

O que é irrelevante será esquecido, para o nosso próprio bem. “Se você se lembrasse de tudo o que fez no dia, sua vida seria infernal. Ao sair de casa e ir para o trabalho, tenho que prestar atenção na rua, no farol, nos caminhos... Eu vejo muita coisa nesse trajeto. Imagina se eu arquivasse tudo por longo tempo? É saudável esquecer essas informações, que não têm impacto algum sobre a minha existência”, explica Gilberto Xavier, professor de neurofisiologia da USP.

É preciso descansar

A fadiga explica a sensação de que não conseguimos nos lembrar de tudo o que é necessário. “Depois de uma hora de aula, por exemplo, o aluno tem que ir para o intervalo, porque sente que não absorve mais nada. Mas é só o cérebro precisando de uma pausa, assim como qualquer outro órgão”, explica Izquierdo

Em situações de estresse agudo, por curtos períodos de tempo, a memória também tem prejuízos, porque são liberadas substâncias químicas no sistema nervoso e as informações ficam arquivadas nesse estado de atividade. Ou seja, quando estiver fazendo outra coisa, não conseguirá se lembrar daquilo. “Se você tem uma prova importante para fazer de manhã, é preferível que estude no mesmo horário, para se manter no mesmo estado fisiológico”, diz Xavier.

Há outras causas para esquecer

O cérebro é uma estrutura que depende de um aporte sanguíneo. Quem tem um sistema cardiovascular insuficiente terá dificuldades ao lembrar. “Fatores emocionais também fazem com que a pessoa se sinta dessa forma. Quem tem depressão reclama de memória, mas se fizer testes, vai ver que tudo funciona normalmente”, diz Xavier. 

A partir dos 50 anos, a memória perde eficiência, fica mais lenta e a capacidade de processamento também. “Não é que a pessoa tenha menos memória, só precisa de mais tempo para lembrar das coisas”, explica Paulo Bertolucci. Mas a redução de velocidade no processamento de informações terá implicações no dia a dia. “Porque a vida não vai ficar mais devagar para você memorizar”, completa. Já doenças degenerativas, como o Alzheimer, podem ocasionar a perda de memória, especialmente a recente, além da perda de neurônios.

Exercitar é preciso

Não se pode generalizar a memória; é preciso trabalhar cada área. Exemplo: se você tem dificuldade em gravar nomes, precisa trabalhar a memória de palavras. Fazer sudoku não adianta. Ler é melhor, porque ajuda a manter a memória apurada, dizem os especialistas. “Eu tenho 80 anos e uma memória tão boa como uma pessoa de 20 anos, porque sou professor. A pessoa que pratica muito a memória, como professores e atores, tem memória preservada durante muitos anos”, diz Ivan Izquierdo.

Mas se você for um jovem saudável, saiba que a sua memória deve estar trabalhando em 100% da capacidade. Nesse caso, será mais eficiente controlar a quantidade de informações que chegam até você. Determine a absorção de conhecimentos e dados novos para horas específicas -- ao desligar o celular algumas horas por dia, por exemplo.

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