Comportamento

13 atitudes racistas que as pessoas têm sem perceber

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O racismo pode estar nas pequenas atitudes Imagem: Getty Images

Helena Bertho

do UOL

20/11/2017 04h00

Nem sempre é através da agressão física ou de ofensas que o racismo aparece. No dia a dia das pessoas negras, ele surge em momentos sutis, de forma disfarçada. São detalhes, situações tão discretas, que a maioria das pessoas brancas nem percebe. Mas que são fortes o suficiente para fazer mal e aumentar a exclusão dos negros. Às vezes, mesmo sendo contra o racismo, você pode estar cometendo atos racistas sem perceber.

Aqui, mulheres negras contam quais são as formas de racismos sutis mais comuns em suas vidas, que costumam vir de gente que nem imagina que está fazendo algo ruim e que elas gostariam que mudassem. Você já fez algo dessa lista?

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1. Encarar sem parar

Se a presença de uma pessoa negra chama sua atenção, isso só indica o quanto faltam negros ao seu redor, né? A doutoranda Cinthia Leone, 33, odeia quando alguém fica olhando sem parar para ela. "Eu estava em um restaurante francês em São Paulo e uma senhora simplesmente não parava de me encarar. Foi o jantar inteiro. Eu era a única pessoa negra do restaurante, incluindo os funcionários. É sutil porque ela não fez nada, não disse nada, mas não parava de me encarar e apenas a mim. Esse é o tipo de situação desagradável que não se pode provar, mas que todo mundo sabe que tá acontecendo".

2. Achar que "cor de pele" é só uma cor

Vai dizer que você nunca pediu o lápis cor de pele ou comprou uma calcinha cor de pele. Mas de qual pele é essa cor? Nathália Barbosa, 24, não deixa barato quando isso acontece. "Fui à farmácia comprar fita cirúrgica e pedi para o vendedor: 'por gentileza, você tem micropore da cor da pele?'. Ele disse que ia verificar e quando voltou me disse: 'moça, desculpe. Infelizmente só vamos ter das cores branco e marrom'. Olhei para ele sem querer entender e estiquei meu braço. 'Acho que marrom deve servir, não é mesmo?'. Saí do lugar com a mente fervendo. Quem ensinou que marrom não pode ser uma cor de pele?".

3. Chamar de "minha nega"

"Queria que meus amigos soubessem que ninguém é legal só por chamar sua amiga negra de 'minha nega ou minha pretinha'. Para algumas até pode ser carinhoso, mas para outras é estranho e força empatia", Muriel Cristina, 24, publicitária.

4. Ficar com medo de roubo

Já atravessou a rua ou segurou a bolsa com força ao ver uma pessoa negra se aproximando? Mais de uma das entrevistadas reclamou da sensação que têm de que as pessoas ficam de olho nelas, como se tivessem medo de que fossem roubar algo. A atriz Mariana França, dá um exemplo: "Quando estava me formando na oitava série, minha mãe me deu dinheiro para comprar o vestido da festa de formatura. Na loja, percebi que a vendedora começou a me seguir. Até que perguntei porque só eu estava sendo seguida e ela disse que era uma orientação da gerência da loja".

5. Tocar o cabelo

"Amigos brancos: parem de tocar nosso cabelo para ver se é macio ou se não espeta. Ninguém faz isso com as mulheres lisas, né?', Marli Rosa, 55, professora de inglês.

6. E ficar falando do cabelo o tempo todo

O cabelo da mulher negra é uma escolha dela: alisado, black power, com tranças, não importa, não deveria ser sempre assunto dos outros. "Me incomoda os amigos que ficam falando do meu cabelo. Falam que quando estou com trança fica mais bonito, porque parece cabelo liso. Ou me enchem de questões: dá para lavar? Quando tira tem que raspar?", diz Nathália Barbosa, 23, jornalista. A publicitária Camila Prado, 30, lembra de uma situação ligada a isso: "Já fiz entrevista onde era questionada se poderia escovar o meu cabelo". 

7. Deduzir que a pessoa é pobre ou simples

"Fui dar aulas em um condomínio de apartamentos e, após me identificar, o porteiro perguntou se eu estava com a chave. Fiquem sem entender, ele repetiu a pergunta e eu disse: 'não sou a faxineira, sou a professora'. Morei em um condomínio de classe alta e frequentemente era confundida com serviçal doméstica, se eu não estivesse com roupa de 'madame'", Marli Rosa, 55, professora de inglês.

8. E achar que é arrogante quando não é subserviente 

"Por ser negra, bem resolvida e educada, as pessoas me rotulam como metida e antipática, mesmo sem que eu abra a boca. Obviamente, se você é negra e não está na condição de serviçal, incomoda", Marli Rosa, 55, professora de inglês.

9. Tratar a negra como exótica

Se mais da metade (55%) da população brasileira é negra, porque ainda tem gente que diz que ser negro é diferente? "Queria que parassem com a exotização da pessoa negra. Com frases como: 'sua cor é tão diferente, que sorte você tem", Cinthia Leone, 33, doutoranda.

10. Dizer que ela não é negra

Para Nathália Barbosa, uma das coisas que mais incomoda é quando alguém diz: "mas você não é negra, você é morena clara". Como se ser negra fosse um problema, uma categoria na qual os amigos não querem coloca-la. Camila Prado também já ouviu isso várias vezes. "Apesar do meu tom de pele, cabelo black power e lábios grossos, algumas pessoas já disseram 'nossa, mas nunca percebi que você é negra. Você não é tão 'escura'. Ué, será que é o meu espelho que está com problemas?". 

11. Esquecer que cotas são uma resposta à desigualdade

Quando o assunto são as cotas, as entrevistadas relatam sempre ouvir falar do assunto como se fosse sinal de menor capacidade das pessoas negras. Cinthia Leone contou que em seu primeiro emprego, uma colega só dizia que ela só podia estar na universidade pública se fosse por cotas, como se fosse menos capaz que os demais. Já Nathália Barbosa, ouve algo diferente, mas que traz o mesmo subentendido: "amigos dizem que eu só entrei na faculdade porque sou inteligente e não porque tive acesso às cotas. Mal sabem eles que se não fossem elas, não ia adiantar ser inteligente".

12. Esperar que te eduquem sobre o racismo

Para Cinthia, essa é uma das formas mais sutis e cansativas de racismo. "As pessoas brancas precisam entender que não é obrigação das pessoas negras educar sobre o racismo. A gente já tem que combater um sistema opressor, cuidar da nossa autoestima e saúde mental, e ainda tem que explicar o básico do que foram as consequências da escravidão. É muito cômodo para quem é branco nunca pensar sobre isso", diz ela.

13. Achar que é frescura

Se você alguma vez já disse que "agora tudo é racismo", isso é racismo. Marli Rosa explica: "racismo não é mimimi. Só porque você não sofre, não pense que não existe. Representatividade importa. Ver negros bem-sucedidos por aí cria uma vibe positiva. Ver negros sempre sendo serviçais ou retratados como bandidos reforça o preconceito".

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