Comportamento

Muito celular, pouco sexo: as queixas mais comuns das terapias de casal

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Já pensou em fazer terapia de casal? Imagem: Getty Images

Daniela Carasco

do UOL, em São Paulo

22/11/2017 04h00

Dedicada a mostrar mecanismos para contornar problemas que geram descompassos nas relações, a terapia de casal pode funcionar como um recurso valioso. “Ela se transformou quase em uma declaração de amor”, diz a psicóloga e psicanalista Anna Hirsch Burg.

O objetivo de quem a procura é um só: superar a dificuldade para continuar junto. Por isso, à medida que a resistência quanto ao acompanhamento cai, cresce a busca, garantem especialistas de modo geral.

“E, se antes, a iniciativa partia principalmente das mulheres, agora os homens têm se mostrado cada vez mais interessados nessa terapia a dois”, diz Margarete Volpi, psicoterapeuta do casal e familiar. “A autonomia feminina e novas configurações de relacionamento têm motivado os rapazes a tentarem descobrir melhor seu lugar na relação.”

Marina Vasconcellos, terapeuta de casal e família pela Unifesp, esclarece, porém, que nem sempre o atendimento é capaz de salvar uma relação. “Se já houve desrespeito, se o amor acabou, não há o que fazer”, diz. Por isso, sugere que se busque a mediação do profissional o mais cedo possível.

Aqui, elas destacam os motivos mais comuns que tem levado os casais à terapia.

Falta de sexo

Para Marina, “o sexo é um reflexo da relação”. Quando ele vai mal, é sinal de que o relacionamento também está com problemas. As razões mais comuns que acarretam uma baixa na frequência sexual são cansaço, estresse no trabalho, demanda de filhos, privação de sono e baixa autoestima. “Muitas mulheres relatam insatisfações com o corpo, que levam também a uma retração nesse sentido”, diz a especialista.

Infidelidade

Neste caso, as situações variam de acordo com a duração da relação extraconjugal, se houve envolvimento afetivo e se chegou às vias de fato. Mas uma coisa Marina garante: “Quem procura a terapia de casal por esta razão quer realmente salvar o relacionamento”. Segundo ela, as chances de dar certo são altíssimas, já que o acompanhamento leva à uma reflexão mais ampla do casamento. “Normalmente, a traição é acarretada por falta de diálogo entre as partes. Isso acaba fazendo o outro se sentir invisível, rejeitado, pouco amado. E aí quando aparece um terceiro elemento atencioso e disponível, as portas se abrem.”

Dificuldade de conversar

O medo da reação do outro é o que leva muitos parceiros e parceiras a engolir incômodos. Depois de um tempo, alguém sempre acaba explodindo com resposta atravessada, agressão e mecanismos de defesa problemáticos. Por isso, se abrir para o diálogo é um conselho unânime entre as especialistas. A dica nessa hora é evitar acusações e expor incômodos pessoais. Isso evita que o outro fique na defensiva. As terapeutas sugerem que as conversas comecem sempre no referencial do “eu”, como “me sinto agredida quando escuto” e “me incomoda quando não posso”.

Veja também:

Problemas psiquiátricos

Mau humor, insônia, crises depressivas, mudança repentina de temperamento, queixas constantes... Sintomas de uma doença psicológica que ainda não foi diagnosticada, nem tratada, são capazes de minar uma relação. “Se a pessoa aceitar se tratar e se houver amor, é possível reverter a crise”, diz, Marina. “Agora, quando há uma recusa por parte de quem está doente, cabe ao outro decidir se quer ou não continuar junto.” Anna alerta ainda para quando o uso de remédios psiquiátrico se torna um estigma. “A pessoa que faz uso do medicamento acaba sendo humilhado e saindo como ‘ louco’ da relação.” Isso precisa ser trabalhado!

Liberação sexual

Experimentar novas maneiras de se relacionar é uma facilidade dos novos tempos, mas pode também causar problemas. “O casal tem que ter uma cabeça muito aberta e estar muito seguro para se abrir para uma experiência nova”, diz Marina. É necessário que exista um consenso absoluto de ambas as partes na hora de tomar decisões como essa. “Se um não quiser, tem que haver respeito e abrir mão da vontade pelo outro. Caso contrário, pode ser violento.”

Uso excessivo do celular

Entre os problemas mais atuais, sai na frente o uso sem limites do celular dentro de casa. “Isso acontece tanto com o casal que passa muito tempo fechado no seu mundo virtual, quanto com quem leva trabalho pra casa e fica cego quanto ao parceiro ou parceira”, conta Anna. “Essa bolha individual leva ao distanciamento, além de crises de ciúme e paranoia.”

A recusa pela maternidade

Anna ressalta ainda a falta de desejo em se tornar mãe como uma das queixas comuns aos relacionamentos modernos. A crise acontece quando o marido faz questão de ter filhos. Neste caso, o terapeuta de casal faz um ótimo trabalho de moderador para entender todas as partes e ajuda-las a chegar em um consenso positivo.

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