Gestação

Ex-executiva diz como enfrentou 9 fertilizações e hoje é mãe de 4 crianças

Roberto Setton/UOL
A ex-executiva Andrea Jacoto, com o marido, André, a filha mais velha, Larissa (de olhos azuis), e os trigêmeos Imagem: Roberto Setton/UOL

Depoimento a Thamires Andrade

Do UOL

21/11/2016 07h05

Abrir mão do sonho de ser mãe não é fácil. E foi esse desejo que deu força para que Andrea Jacoto, 45, conseguisse enfrentar nove FIVs (fertilizações in vitro) até engravidar da primogênita, Larissa. Como queria ter mais um filho, ela tentou mais uma fertilização e mal acreditou quando descobriu que estava grávida de trigêmeos.

Após lançar o livro "Mãe de Proveta" (editora Biografia), Andrea conta como foi enfrentar a infertilidade e, posteriormente, aprender a ser mãe de quatro crianças.

"Ser mãe nunca foi meu objetivo de vida enquanto fazia faculdade. Antes de mais nada, pensava no lado profissional, como acho que a maioria das mulheres faz nos dias de hoje. Tinha 31 anos quando me casei e queria dar um 'up' na minha profissão, então, fui fazer um MBA e deixei de lado a ideia de ter filhos, ainda que tivéssemos planos de tê-los um dia.

Quando estava com 33 anos, o relógio biológico ‘cantou’. Parei de tomar anticoncepcional, e a médica disse que eu tinha de engravidar em um ano. Como seis meses depois, nada tinha acontecido, ela pediu uns exames básicos, que não deram alteração. Então, ela pediu que procurássemos um especialista em fertilidade.

Logo na primeira consulta, o médico pediu uma série de exames mais específicos. Os meus deram normais. Nos do André, meu marido, apareceu uma baixa contagem de esperma de qualidade A. O tratamento é simples: basta selecionar o esperma, para que o casal possa engravidar.

Foi recomendado que a gente fizesse uma inseminação artificial. Na minha cabeça, já iria dar certo de primeira. Nunca pensei que teríamos de percorrer um caminho tão longo para ter filhos. A primeira tentativa de inseminação não funcionou, e os médicos recomendaram, por conta da minha idade (35 anos, na época), a fertilização.

Roberto Setton/UOL
Imagem: Roberto Setton/UOL

Ainda que todas as tentativas durante seis anos tenham sido fracassadas, em nenhum momento, aparecia nada errado com os nossos exames. Era difícil conviver com esse drama. Tentávamos tudo o que nos apresentavam como solução.

Na sétima fertilização, engravidei, mas, com oito semanas, tive um aborto. Fizemos mais uma tentativa que não foi bem-sucedida e resolvemos tirar umas ‘férias’. Resolvi cuidar um pouco de mim, já que por conta da ingestão de hormônios e medicamentos, engordei 20 quilos. Profissionalmente também não conseguia mais avançar. Então, comecei a fazer terapia e mudei de emprego.

Durante esse um ano de descanso dos tratamentos, viajamos e relaxamos, antes de fazer o que combinamos que seria a última tentativa. Procuramos um outro médico e encontramos um especialista estudioso e investigativo. Ele pediu um calhamaço de exames e fez uma série de perguntas, até que o André falou que tomava um remédio para calvície.

O médico recomendou que ele parasse com o medicamento e fizesse um exame de desfragmentação do DNA dos espermas. A desfragmentação estava muito alta, o que, segundo o médico, não colaborava para que eu engravidasse, além de provocar abortos.

O André começou a tomar algumas vitaminas e tivemos de esperar mais seis meses para uma nova tentativa. Minha reserva ovariana estava muito baixa por conta de tantas estimulações. Eu me submeti a uma outra estimulação, para a nona e última tentativa. Engravidamos da nossa primeira filha, Larissa. Na época, eu estava com 40 anos.

A gravidez correu superbem, mas, na 25ª semana, durante uma consulta de pré-natal, tive um sangramento forte, e a médica diagnosticou que estava com a bolsa rota. Fiquei internada por dois meses, com líquido amniótico vazando. Por conta disso, precisava ingerir cinco litros de líquidos por dia para repor.

Foi bem traumático, pois só levantava da cama para tomar um banho rápido. Não fiz chá de bebê nem enxoval. Pelo menos, conseguimos segurar o nascimento da Larissa até a 32ª semana. Como ela nasceu prematura, ficou na UTI por 24 dias.

Desde que a Larissa nasceu, pensávamos em ter um segundo filho. Meu objetivo era voltar a trabalhar, mas, durante a licença-maternidade, rompi o contrato com a empresa em que estava. Então pensei em termos logo o segundo filho, para depois retomar a carreira de uma vez.

Quando a Larissa estava com um ano e cinco meses, fizemos a fertilização e implantamos dois embriões. O normal é depois de dez a 12 dias fazer o teste de gravidez, mas senti muitas alterações hormonais, quase desmaiava se não comia, tinha muita dor de cabeça e náuseas. O André achava que os dois embriões tinham vingado, pois não senti isso na gravidez da Larissa.

No ultrassom confirmamos que eram, na verdade, trigêmeos. Foi difícil cair a ficha e descobrir o que faríamos da vida, pois ter quatro filhos em um país como o nosso, sem recurso nenhum, não é fácil. O André já estava pensando em como seria quando eles fossem para a faculdade, mas eu disse que não dava para pensar tão a longo prazo, pois a gente iria endoidar.

Passamos a planejar uma parte de cada vez. A primeira era a chegada deles. O objetivo era que eles nascessem entre 34 e 35 semanas. Depois pensamos nos três primeiros meses e assim por diante. Tivemos de fazer uma reforma no apartamento para acomodar os três e, depois que descobrimos o sexo –uma menina e dois meninos—, começamos a pensar no enxoval.

Para prevenir a bolsa rota, a médica recomendou a colocação de um pessário [dispositivo redondo feito de borracha ou de silicone usado para fechar o cólo do útero] e com isso consegui correr atrás de tudo durante a gravidez, que foi muito tranquila. Na 30ª semana, descobrimos que um dos meninos estava com restrição alimentar pelo cordão umbilical e eles nasceram na 32ª semana, como a Larissa.

Como os três também nasceram prematuros, precisaram ir para a UTI e foi um período difícil, pois tinha a Larissa em casa para cuidar. A rotina da UTI em si é cansativa, pois é preciso tirar leite, estimular o bebê a mamar e não tem cama para descansar, só um sofá com TV. Eles ficaram lá por 29 dias, e todos voltaram juntos para casa.

Desde então seguimos uma linha de produção em casa: na hora de amamentar, já separava fralda e roupa. Precisamos montar esse esquema para dar conta do recado. Os primeiros dois meses foram os mais difíceis, pois eles mamavam frequentemente. Tentei não contar com a ajuda de nenhuma babá à noite, mas foi impossível. Teve um dia que fiquei 72 horas acordada e meu leite começou a secar. Contratei uma moça que me ajudou de madrugada até eles completarem quatro meses, idade em que começaram a dormir à noite toda.

Quando eles chegaram em casa do hospital, a Larissa ficou muito alegre, pois achava que eram três bonecos que se mexiam. Como dormiam bastante, ela não tinha muita concorrência. Mas quando eles começaram a sair do berço, aos cinco meses, ela começou a ficar com ciúme. Então, teve uma regressão: voltou a chupar chupeta e começou a fazer algumas manhas. Agora que os trigêmeos completaram dois anos, ela ficou mais tranquila, pois a irmã começou a brincar mais com ela.

Por onde nós passamos, chamamos a atenção, é impressionante. Às vezes vamos fazer um exame de sangue, e o laboratório inteiro quer tirar foto com a gente. Há quem dê parabéns e quem nos chame de loucos. Quando descobrimos a gravidez, teve gente que chegou a perguntar se iríamos ficar com os três.

Como ex-executiva, não sinto falta de trabalhar em uma empresa, mas, sim, de conversar, trocar experiências, sair um pouco de casa. Agora o trabalho de ser mãe em si é muito maior do que qualquer outro que já tive. É 24 horas, independentemente de ser sábado, domingo ou feriado. Sem contar que a responsabilidade é muito maior.

Muita gente me pergunta como consigo dar conta, mas como sempre fui organizada, sei me planejar. Lido com estoque da casa, administração de conflitos entre as crianças, sem contar que ainda tenho um blog, escrevi o livro 'Mãe de Proveta', fora as outras coisas de casa, como supermercado e feira."

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