Gravidez e filhos

Quatro assuntos sobre sexo que os pais deveriam conversar com os filhos

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Masturbação, questões de gênero e abuso sexual devem fazer parte das conversas com os filhos Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

11/09/2017 04h00

Hoje há um bombardeio de informações sobre sexo, mas nem sempre elas chegam como deveriam ao ouvidos dos jovens. Muitos pais, com medo de incentivar a iniciação precoce dos filhos, acabam evitando tocar no assunto. Outros, reféns da carga pesada dos tabus e preconceitos com os quais foram educados, fogem de questionamentos sobre questões que eles mesmos não entendem (ou não querem entender) direito, como a transexualidade. Esse comportamento, infelizmente, não só trava o diálogo e o vínculo familiar como ainda conduz os adolescentes a tirarem suas dúvidas na rua ou nas redes sociais. O mundo mudou e o teor das conversas sobre sexualidade em casa precisam ir além dos assuntos tradicionais, como gravidez indesejada e doenças. Eis quatro pontos que devem e merecem ser abordados:

Abuso sexual

É importante falar abertamente sobre este tema, porque a criança muitas vezes não sabe que está sendo abusada sexualmente, pois desconhece o que é o ato. O senso comum geralmente associa o abusador a uma pessoa agressiva, mas não é bem assim. Geralmente é alguém próximo que agrada, trata a criança com carinho, dá presentes. Há casos, inclusive, de abusos praticados por crianças maiores contra menorzinhas. É preciso ensinar que certas partes do corpo não podem ser tocadas por qualquer pessoa, explicar que namoro é coisa de adulto e orientar para contar aos pais caso algo estranho aconteça. Para os adolescentes, é bom conversar sobre o respeito aos limites, que tentar agarrar ou beijar à força é um tipo de abuso e que quando alguém diz não, significa não, não mesmo.

Homofobia e homossexualidade

Falar sobre o respeito ao próximo é algo que deve sempre fazer parte dos papos entre pais e filhos. Quando uma criança, por exemplo, vir dois homens se beijando ou duas mulheres de mãos dadas, não discrimine ou reforce um preconceito. Diga aos seus filhos que assim como existem homens e mulheres que vivem juntos, também há homens com homens e mulheres com mulheres que também se amam, são felizes e formam famílias juntos. É preciso reforçar o amor que existe entre as pessoas, independentemente de sua orientação sexual. E é normal, ainda, que os pequenos, conforme vão crescendo, sintam curiosidade em saber como os gays transam, como os transexuais mudam de aparência e por aí vai. Evite fugir das indagações e responda de acordo com a maturidade da criança. Se não souber, pesquise e se informe.

Masturbação e sensações do corpo

O sexo não deve ser tratado como algo sujo, errado, sinônimo de sem-vergonhice ou tabu. Não é porque você não comenta com seus filhos que transar é bom que eles vão deixar de descobrir isso por si mesmos. O mundo oferece uma série de informações e os pais devem orientar e mostrar uma visão realista das coisas. Se houver dúvidas, oriente sobre como o corpo funciona, a importância de cuidar de si e as reações manifestadas quando há um interesse por alguém, no banho ou durante o sexo. E mais: da mesma forma que os filhos têm de respeitar a intimidade e privacidade dos pais, o contrário também deve acontecer. A adolescência é uma fase de descobertas, isso é saudável e normal, portanto, bater à porta do quarto e aguardar sinalização para entrar no quarto do filho poderá evitar surpresas e evitar constrangimentos desnecessários, além de ser uma demonstração de respeito e consideração.

Questões de gênero

Os pais precisam incentivar os filhos, desde a infância, a expressar autenticidade e a desenvolver relacionamentos saudáveis com os demais, independentemente de gênero. Evite transmitir ou reforçar ideias estereotipadas, machistas ou misóginas sobre os papéis masculinos e femininos e busque educar seus filhos para que se desenvolvam sem dividir brinquedos, roupas e atitudes entre "de menino" e "de menina".

 

Fontes: Carla Cecarello, psicóloga, sexóloga consultora do site C-Date e fundadora da ABS (Associação Brasileira de Sexualidade); Ricardo Desidério da Silva, pedadogo, docente do mestrado em Educação Sexual da Unesp - Campus Araraquara (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) e sexólogo do programa "Ver mais" da Record Paraná, e Ricardo Vieira, consultor em saúde e educação sexual, do Rio de Janeiro (RJ)

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