Bebês

Ela teve um bebê com 750g e batalhou sozinha pela vida dela e da filha

Arquivo Pessoal
Diana nasceu com 27 semanas de gestação; a mãe, Gisele Mafra, foi diagnosticada com pré-eclâmpsia Imagem: Arquivo Pessoal

Adriana Nogueira

Do UOL

25/11/2017 04h00

Foi um ano e meio tentando até que a professora Gisele Mafra, 27 anos, conseguisse engravidar de Diana, a primeira filha. A gravidez corria tranquila quando, na 23ª semana, sua pressão arterial começou a subir. Com 27 semanas, veio o diagnóstico de pré-eclâmpsia. A menina nasceu cinco dias depois, de cesárea, pesando 750 gramas e medindo 34 cm.

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Começava uma batalha pela vida de Diana, que teve parada cardíaca, enfrentou duas infecções e quase teve falência renal. Foram 80 dias na UTI neonatal, 12 na semi-intensiva e mais dez dias no quarto até ter alta.

Nesse meio tempo, Gisele passou por duas cirurgias, por complicações no parto, e viu o casamento de quatro anos terminar. “Meu ex-marido foi embora porque disse que, apesar de amar a gente, era muita responsabilidade para ele.” Veja a seguir a íntegra da história de mãe e filha

“Queria ser mãe, mas preferia esperar terminar a faculdade de pedagogia. Meu marido insistiu, cedi e começamos a tentar. Um ano e meio depois, engravidei. Foi tudo bem até a 23ª semana, quando a minha pressão arterial começou a subir. Um pico de pressão, 20 por 12, fez com que eu fosse internada.

Cinco dias depois, tive de me submeter a uma cesárea, porque um exame constatou que a minha filha estava em sofrimento fetal. Diana nasceu com 750 gramas e 34 cm. Mal pude vê-la quando saiu da minha barriga. De longe, a médica me mostrou o rostinho dela e falou: ‘Mãe, sua filha está muito mal. Temos de levá-la para a UTI’.
 

Nada funcionava sozinho

Ela nasceu com Apgar [teste utilizado para avaliar a vitalidade da criança] zero. Foi praticamente ressuscitada e registrou sete, no segundo minuto de vida. Coração, pulmões, circulação... Nada funcionava sozinho. Foi entubada. A primeira vez que ela chorou, não pude segurá-la no colo, por causa de todos os aparelhos em que estava ligada.

Diana estava no hospital há 18 dias quando meu marido disse que, embora nos amasse, era muita responsabilidade para ele. Foi embora e nunca mais voltou. Pediu demissão do emprego, pegou o dinheiro que tínhamos, vendeu nossos móveis e sumiu.

Arquivo Pessoal
Gisele e a filha, que tem sete meses, mas desenvolvimento compatível com o de uma criança de quatro Imagem: Arquivo Pessoal
No dia seguinte que isso aconteceu, cheguei para visitar a Diana e um médico falou: ‘Sua filha está muito mal, com uma infecção, medicamos e não há mais nada que possamos fazer. Precisamos ver se ela reage’. Só pensava que ia perder a minha filha.

Apoio de outras mães

Mas os prematuros são fortes. Foi muito importante também contar com o apoio das outras mães da UTI. Diana resistiu a duas infecções, uma parada cardíaca e a quase falência renal.

Com 65 dias, ela estava estável, precisando apenas engordar. Foi muito emocionante ouvir isso dos médicos. É uma vitória. Na UTI, vi muitas mães perdendo seus filhos.

Foram 80 dias na UTI, mais 12 na semi-intensiva e dez dias no quarto até ter alta. Mas antes desse dia chegar, eu passei por duas cirurgias, além da cesárea, e dois períodos de internação, no mesmo hospital que a minha filha.

Mãe passou por duas cirurgias


Treze dias depois de ela nascer, descobri que estava com um hematoma de parede, uma complicação da cesárea. Significava que estava com sangue acumulado no abdome. Foram drenados quatro litros da minha barriga.

Vinte dias depois dessa operação, descobri que era alérgica aos fios usados para me costurar na cesárea e na cirurgia seguinte. Estava tudo infeccionado e tive de passar por nova operação.

Por causa desse último procedimento, fiquei 17 dias sem ver minha filha e contei com a ajuda de familiares para visitá-la, porque a essa altura o meu ex-marido já havia ido embora.

Hoje, Diana tem sete meses, mas tem o desenvolvimento de uma criança de quatro, por causa da idade corrigida [tempo que ainda faltava para completar a gestação]. Está aprendendo a sentar, rola, presta atenção nas pessoas ao redor... Graças a Deus, não ficou  com sequela alguma.”

Prematuros extremos

Segundo estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde), 15 milhões de bebês nascem antes de 37 semanas de gestação, por ano, no mundo. Desse total, há os que nascem antes das 28 semanas e são considerados prematuros extremos, caso de Diana.
 
Segundo Andrea Weinmann, neuropediatra do Hospital Universitário da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, até os dois anos de vida, os prematuros precisam de um acompanhamento multidisciplinar, mais rigoroso do que o de uma criança nascida a termo.
 
Mesmo sem sequelas, Diana, por exemplo, faz sessões de fonoaudiologia e fisioterapia, é acompanhada por uma nutricionista e se submete a exames periódicos de visão e de coração.
 
Após os dois anos, a idade cronológica e a corrigida se igualam e o desenvolvimento da criança passa a equivaler ao daquela nascida após 37 semanas.
 
Andrea, no entanto, recomenda aos pais de prematuros que, quando chegar o momento da alfabetização, procurem levar a criança para uma avaliação com um neuropediatra. “É comum que prematuros apresentem problemas de aprendizagem.”

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