Gravidez e filhos

'Não vi deficiência física, apenas um lindo bebê', diz mãe que adotou

Arquivo Pessoal
Ana Cristina, o marido, Douglas, e o filho deles, Willian Imagem: Arquivo Pessoal

Bárbara Therrie

Colaboração para o UOL

16/01/2018 04h00

Passado o susto de não poderem ter filhos biológicos, a pedagoga Ana Cristina Bezerra, 36, e o marido, Douglas Silva, decidiram partir para a adoção.

Três anos após darem entrada na papelada, foram convidados a conhecer Willian, um menino de um ano e três meses, que não tinha três costelas.

Sem saber ao certo o que essa característica queria dizer em termos de limitações físicas, o casal foi ao abrigo e se apaixonou pelo garoto.

“Quando colocaram ele na minha frente, não notei nenhuma deficiência física, enxerguei apenas um lindo bebê, um filho.”

A seguir, Ana conta como a adoção a transformou em uma mãe feliz e completa.

“Eu e meu marido sempre fomos apaixonados por crianças. Após dois anos de casada, comecei a tentar engravidar. Passados alguns meses, como a gravidez não acontecia, fomos fazer alguns testes.

A médica pediu ao Douglas para se submeter a um espermograma, e o exame mostrou que ele não tinha espermatozoides. Sofremos bastante, não podíamos imaginar nossa vida sem um bebê. Se seria biológico ou adotado não sabíamos, só tínhamos uma certeza: queríamos um filho.

Veja também:

Em 2010, demos entrada no processo de adoção. Foi um período de espera e angústia, sonhava com a ligação para conhecermos uma criança. Eu me perguntava o porquê de tudo aquilo.

Dois anos e meio depois, entraram em contato e nos convidaram para conhecer um bebê de um ano e três meses, que não tinha três costelas. Ficamos assustados e emocionados, mas confirmamos a visita.

Ao conversar com a assistente social, ela explicou que o Willian tinha o pé torto congênito e que, a falta das costelas, na verdade, era mielomeningocele (malformação na coluna vertebral).

Quando entraram com ele na sala, não notei nenhuma deficiência física.

Enxerguei apenas um lindo bebê, um filho"

Naquele dia, eu e meu marido passamos a tarde com ele no abrigo, brincamos, demos comida, colocamos para dormir. Eu me apaixonei e respondi que faríamos a aproximação. Foram 27 visitas até conseguir a guarda provisória.

Arquivo Pessoal
O garoto foi adotado quando tinha pouco mais de um ano Imagem: Arquivo Pessoal
Conversamos com alguns médicos da AACD, que se referiam ao Willian como uma incógnita. Não podiam determinar como seria a aprendizagem dele, se iria andar nem se conseguiria controlar o xixi e o cocô.

Mesmo inseguros, seguimos em frente. Durante os encontros, nós nos apegamos rapidamente. O Willian tinha uma alegria contagiante. Teve um dia que saí do abrigo chorando ao perceber que ele ficou triste quando percebeu que eu estava indo embora e ia deixá-lo. Senti um vazio imenso.

Essa tristeza passou quando o trouxemos para casa, com um ano e quatro meses, em 13 de setembro de 2013.

Foi um misto de emoções. Ao mesmo tempo que não me aguentava de felicidade por ele estar ali, também estava apreensiva por não saber se ele iria chorar ou estranhar o ambiente.

Para nossa surpresa, ele não deu trabalho. Pelo contrário, engatinhou pela casa toda, explorando cada canto. Nosso sonho havia se realizado.

A adaptação do Willian foi rápida. Tínhamos um pouco de medo de ele não poder andar, mas também muita esperança.

Com muito amor e treino, nós o incentivamos a dar os primeiros passos.

Foi uma vitória quando o vimos andar"

Ele já fez duas cirurgias de reparação nos pés, para que eles não voltem a ficar tortos.

Ele usa órtese nas pernas e, apesar de ter um andar meio mecânico, nada disso o impede de brincar, nadar, ir à escola. Hoje, ele é uma criança comunicativa, esperta e saudável.

O processo de adoção exige muita fé e coragem. São anos de incerteza, na fila, sem saber o que nos reserva. Esperamos três anos e, da noite para o dia, estávamos arrumando quarto, comprando móveis, roupas.

Hoje meu filho tem cinco anos, mas, desde os dois, converso com ele sobre como nos conhecemos. Conto que a mamãe e o papai choravam porque queriam ter um bebê e pediam a Jesus para mandar um filho. Jesus, então, avisou o dia certo que iria mandar o Willian descer do céu para o abrigo, e fomos lá buscar ele e nos tornamos seus pais.

Arquivo Pessoal
Willian fez cirurgia de reparação nos dois pés Imagem: Arquivo Pessoal
Ele adora contar a história dele para as outras pessoas, mas ainda não tem consciência de que existe uma outra mãe. À medida que ele for crescendo, vou esclarecê-lo mais sobre sua origem, até chegar no ponto em que ele entenda claramente.

Depois que o Willian apareceu na minha vida, toda aquela angústia e frustração por não ter um filho biológico acabou. Hoje sei que tudo faz parte de um plano de Deus. O Willian era uma criança que precisava de pais que o amassem, e nós éramos pessoas que sonhávamos em ter um filho. Tinha de ser desse jeito.”

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