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Hoje considerada uma revelação da moda, ex-porteira não aceitava magreza

Reprodução/Instagram/bazaarbr
Com cabelos curtos, Rosangela Figueira se tornou Roza Figueira, a top model brasileira Imagem: Reprodução/Instagram/bazaarbr

Amanda Serra

Do UOL, em São Paulo

05/12/2017 08h03

Com 1,80m de altura e 49kg, Rosangela Figueira, 23, era conhecida em Cuiabá (MT) apenas por sua magreza. No entanto, a realidade da jovem porteira, que ganhava R$ 980 mensais, mudou há cerca de cinco meses, desde que ela foi descoberta em um workshop conduzido pelo olheiro Jocler Turmina.

Capa da edição brasileira da revista de moda “Harper's Bazaar” de novembro, Rosangela agora é conhecida como Roza Figueira, e assim como o nome, o corte de cabelo e a vida em si mudaram. A garota que até então nunca tinha saído da periferia de Cuiabá, agora se divide entre Nova York, Paris, Londres e Milão. Em conversa com o UOL, a ‘new face’ - como são conhecidas as novatas da moda – fala sobre o trabalho na infância, o abandono da escola ainda no ensino médio, angústias e as conquistas no mercado internacional.

Tomei muitos remédios dos 14 aos 20 anos para engordar e nunca deu certo. Hoje, aprendi a valorizar a minha magreza. Não acreditava em mim. As pessoas viam muitas coisas em mim e nunca vi nada disso. Nunca soube receber elogios, mas isso mudou. Era muito insegura. Ter 1,80, 23 anos e pesar entre 49 e 50 kg não era normal, agora é. Me olho no espelho e me acho linda. Aprendi a me amar”, conta a modelo. 

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A alimentação da cuiabana não mudou. Pelo contrário, a obsessão pelo peso tido como ideal ficou para trás. “A cobrança é para eu não emagrecer. Como de tudo, cuido para manter e não perder nenhum quilo”, diz ela, que já estreou campanhas de peso como para estilista inglesa Vivienne Westwood e para as magazines "The Squad", "Paper Magazine" e "Interview". 

Arquivo Pessoal
Roza Figueira e a mãe, Rosenilda Imagem: Arquivo Pessoal
“Quando me vi na revista [Harper's Bazaar], não parei de chorar, nunca imaginei que isso aconteceria. Foi uma correria para fazer essa capa. Tive que fazer as fotos em dois dias, faltava uma hora para eu embarcar pra Milão e eu ainda tinha que terminar de fazer a sessão de fotos... foi muita emoção. Essa é uma Roza que eu nunca imaginei que existiria, que as pessoas me elogiariam”, relata a modelo, que ficou em oitavo lugar em uma seleção feita com dez ‘new faces’, realizada em Nova York. Ela é a única brasileira no ranking.

Até hoje minha mãe não acredita que estou vivendo isso. Todos os dias ela manda mensagem dizendo ‘você é meu orgulho’. Estou fazendo isso por mim e por ela, a felicidade dela também é a minha", completa.

A escola chamada mundo

 

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Virar noites e trabalhar cerca de 12 horas por dia nunca foi novidade para Roza. Aos 13 anos ela começou como babá. Aos 16, deixou a escola para ajudar a família no orçamento, fez curso de manicure, passou fome e o plano até outro dia era fazer um curso para se tornar segurança. “Na minha casa sempre foi tudo muito simples. Somos em cinco, dois meninos e três meninas, sou a caçula. Minha mãe trabalha como faxineira em uma escola e eu não conheci meu pai. Minha mãe se separou dele quando eu tinha um ano, por conta da violência doméstica que sofria.”

"Passamos muitas coisas juntas, tanto boas, quanto ruins. Estou muito feliz por ela. Muita gente a chamava de Barbie. Às vezes olho e nem acredito nisso que ela está vivendo", completa Rosenilda, 51, mãe da top.

No início de 2018, Roza se mudará para os EUA definitivamente e deve ficar trabalhando por lá. A vida de sua família em Cuiabá continua a mesma, mas ela faz planos para o futuro.

Continuo acordando cedo, trabalhando por muitas horas, fico em pé, em cima de um salto por muitas horas... a diferença é que não fico tão chateada quando vejo o valor na minha conta bancária. Mas não estou rica, ainda não consegui realizar nenhum sonho. Estou começando... quero me organizar para conseguir meu maior desejo: conhecer Copacabana e ficar hospedada de frente para o mar. Tirar férias, algo que nunca tive na vida”, diz ela, que recentemente esteve no Rio de Janeiro e São Paulo pela primeira vez.

“Tenho vontade de estudar psicologia, sempre gostei de dar conselhos, escrever e ainda não desisti disso. Estou aprendendo inglês, estudando por conta mesmo. Quando cheguei a Nova York não entendia quando perguntavam ‘how are you?’ [como vai você?/ Eram coisas mínimas, mas não conseguia entender. Cheguei a ficar quatro horas perdida no metrô de Nova York, tive que ligar para irem me buscar. E preciso do inglês para tudo, inclusive, para falar com minha booker [pessoa responsável pela vida de cada modelo]. Levo sempre meu caderno de estudo para os testes”, conta.

Novata no mundo fashion, ela conta que o fato de ser brasileira ajuda e atrapalha. “Às vezes você passa em um teste justamente porque é brasileira, em outros casos, não passa por isso também. É muito relativo. É um misto de desprezo e acolhimento. É preciso trabalhar a mente para saber lidar com isso”, avisa ela, que ainda não tem muitas amigas modelos.

“Já passei por tantas coisas nessa vida que eu não tenho mais medo. Desde criança minha vida sempre foi trabalhar, encarar o mundo. Vi tudo que minha mãe passou e pensava comigo: ‘eu não posso ter medo’. Pessoas com medo não conseguem encarar o mundo da forma que estou encarando agora.”

 

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Imagem de Roza recém chegada em NY

 

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