Estilo de vida

Fotos do seu filho na rede movimentam um mercado bilionário; entenda

Getty Images/iStockphoto
'Selfie' com o filho pode ser detectado e virar publicidade para você Imagem: Getty Images/iStockphoto

Marcos Candido

Do UOL, em São Paulo

12/10/2017 04h00

Você publica fotos do filho pequeno nas redes? Se a resposta for sim, você já deve saber que não está só. Uma pesquisa mostra que 66% dos pais brasileiros postam imagens dos filhos nas redes sociais. A cada vez que uma foto deles vai parar na rede, a imagem é identificada por centenas de códigos automáticos (ou robôs) que mapeiam sua vida e vendem seus hábitos a troco de cifras bilionárias.

Seus dados geram publicidade

Funciona assim: cada ação feita nas redes sociais, sites ou aplicativos é lida por códigos que podem mapear quais produtos buscamos em lojas on-line, se estamos atrás de um ‘crush’ e até mesmo nossos ciclos menstruais.

Com essa identificação, as empresas distinguem quem é o usuário conectado e quais objetivos ele mantém na vida real. Os dados ajudam os programadores a melhorar o serviço prestado, mas também fazem dinheiro entrar no caixa: as empresas pagam aos sites para veicular anúncios até você.

“No final das contas, a cada clique, 'curtir' ou 'compartilhar', estamos trabalhando para aprimorar algoritmos dessas grandes empresas, como Google e Facebook. Em troca, 'ganhamos' publicidade adaptada aos nossos hábitos enquanto eles ganham bastante dinheiro”, explica Joana Varon, diretora da Coding Rights. Nos três primeiros meses deste ano, o faturamento do Facebook com propaganda foi de 7,8 bilhões de dólares.

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Seu smartphone te ouve e te vê

É bem possível que, por exemplo, com fotos ao lado dos filhos no Instagram, um robô reconheça a feição da criança e apresente anúncios de fraldas, produtos ou programas infantis e mais serviços personalizados para pais. Outro robô pode ler as mensagens por escrito e até mesmo o microfone do smartphone detecta quais assuntos conversados no dia a dia. Às vezes, nem é preciso fazer nada.

No início de outubro, um jornalista de São Paulo publicou no Facebook o relato de um e-mail inesperado: o serviço de armazenamento de fotos on-line, onde mantém o arquivo pessoal da família, havia criado um filme em comemoração aos quatro anos de vida da filha. Os vídeos que ele havia registrado nunca haviam sido publicados nas redes sociais. mas, mesmo sem que ele pedisse, o site detectou os traços da criança e editou o filme de maneira automática. A notícia causou espanto entre seus seguidores.

Tenha em mente que os dados ficam registrados para sempre

Anônimos e famosos ganham milhares de likes e compartilhamentos com fotos dos filhos publicadas nas redes sociais. Enrico Bacchi, filho da atriz Karina Bacchi, com cerca de dois meses de idade já tem 546 mil seguidores no Instagram.

Esse tipo de comportamento gerou até um termo em inglês: o “shareting”, uma mescla das palavras “share” (compartilhar) e “parenting” (que pode ser traduzido como o ato de ser pai ou mãe).

“O ‘shareting’ ajuda a coletar dados e acaba criando uma personalidade do filho pela vida inteira, desde o começo da vida”, explica Pedro Hartung, advogado do Alana, instituto especializado em direitos da criança.

Segundo ele, é importante pensar sobre quais são os níveis de privacidade do filho, ainda criança, na rede. “Publicações geram o que chamamos de rastros digitais”, explica. O advogado diz que é preciso que o pai tenha consciência de como a exposição à publicidade a entrega de dados do filho possa afetá-lo no futuro. “As plataformas, apps e empresas no mundo digital têm a responsabilidade ser respeitar e preservar a criança em seu desenvolvimento", conclui.

O que eles dizem

Em nota, a Google diz que, no caso da publicidade direcionada, "o objetivo é mostrar anúncios que sejam relevantes para os usuários". Para isso, a empresa afirma usar "dados coletados de dispositivos, incluindo buscas e dados sobre localização, bem como websites e aplicativos usados, vídeos e anúncios vistos" e "informações pessoais fornecidas por eles, como faixa etária, gênero e interesses".

A empresa afirma não vender dados de usuários diretamente a terceiros e que também oferece opções de controle de privacidade ao usuário. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o Facebook;.

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