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88% dos RHs veem pessoa com deficiência como apenas "cota", diz pesquisa

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A consultora Andrea Schwarz, 41 Imagem: Divulgação

Marcos Candido

Do UOL, em São Paulo

15/01/2018 04h00

Do dia para a noite, Andrea Schwarz, 41, recebeu o diagnóstico dos médicos: ela tinha uma malformação congênita na medula espinhal. Isso significava que, dali em diante, ela teria de usar cadeira de rodas.

De 1997 para cá, Andrea tem como missão incluir a pessoa com deficiência na sociedade. “Transformei a adversidade que aconteceu comigo em oportunidade para lutar pela inclusão”, diz.

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Andrea, há 19 anos é presidente da i.Social, consultoria que conectou mais de 12 mil candidatos com deficiência a vagas em empresas. Sobre esse assunto, porém, ela avalia que “ainda é preciso mudar a mentalidade sobre a pessoa com deficiência física no mercado de trabalho”.

Pesquisa mostra cota como único motivo da contratação

A conclusão é baseada em pesquisa feita com quase 2,500 entrevistados, entre pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, profissionais de RH e líderes de empresa. Divulgado agora, é fruto de uma parceria com o site de emprego Catho, ABRH Brasil e ABRH-SP, ambas associações que unem profissionais dos recursos humanos.

“A principal conclusão é de que as empresas ainda contratam pela obrigação de leis de cotas”, avalia.

Por lei, empresas com 100 ou mais empregados são obrigadas a preencher de 2% a 5% do quadro de funcionários com pessoas com deficiência. “A cota é uma ferramenta preciosa, que transformou muita gente”, analisa. “Mas muitas das empresas ainda não reconhecem o colaborador com deficiência como um profissional produtivo, que agrega valor ao negócio”.

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Com o marido Jaques Haber Imagem: Divulgação

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O levantamento mostrou que 88% dos profissionais de recursos humanos veem a cota como o principal motivo para contratações desse tipo.

“As empresas carimbam quais vagas vão ser destinadas para pessoa com deficiência, e como se faz o cumprimento de cotas, a estes profissionais são destinadas vagas na base da pirâmide [auxiliares administrativos, por exemplo], menos custosas à empresa”, defende.

O estudo aponta, porém, que 57% das pessoas com deficiência que responderam à pesquisa estão na graduação em ensino superior, sendo que 4% estão com uma pós-graduação em andamento, 8% com a pós-graduação concluída e 1% com mestrado.

A pessoa com deficiência não vive em um mundo a parte

Os profissionais de RH e chefes apontam que a acessibilidade, ambiente de trabalho sensibilização e programa de inclusão estruturado são os fatores “de maior atratividade” para o trabalhador com deficiência.

Por outro lado, as pessoas com deficiência indicam salário (20%), plano de carreira (18%) e pacote de benefícios (15%) como itens mais importantes em uma oportunidade de trabalho. “As pessoas ainda costumam ter um conceito, por falta de informação, de que deficientes fazem parte de um mundo apartado dos demais”.

A empresária do outro lado do balcão

“Como ser uma líder com deficiência? Bem: é igual a ser uma líder sem deficiência”, retruca ao ser questionada sobre como é, hoje, ser uma deficiente que está do outro lado do balcão.

“Desde que se tenha os instrumentos, a pessoa com deficiência física pode fazer qualquer coisa. Um líder que não sabe mexer no pacote Office não faz nada. Assim como um cego sem um software de leitura instalado na máquina”.

A sociedade diminui ou aumenta a limitação do deficiente

No início dos anos 2000, Andrea publicou o “Guia São Paulo Adaptada”, livro com passeios, hotéis e restaurantes acessíveis na maior cidade do país. A obra trouxe à tona um debate em prol de uma cidade com espaços mais acessíveis a pessoa com deficiência.

Além do guia, com o marido Jaques Haber, criou o “Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência”, que avalia e identifica as melhores práticas de inclusão no mercado empresarial.

“A sociedade pode diminuir a minha limitação ou aumenta-la. Me coloque em um lugar de acordo com as minhas necessidades: com uma rampa, um banheiro adaptado. Aí a competição é de igual para igual”. 

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