Comportamento

Por que ainda traímos se podemos nos separar? Há várias hipóteses

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Helena Bertho

Do UOL, em São Paulo

14/11/2017 04h00

Traição é a quebra do acordo de um casal, que combinou viver de maneira monogâmica. Em tese, se um dos dois tem interesse em se envolver com outras pessoas, bastaria terminar a relação para não quebrar o acordo. Mas, se essa parece uma solução tão simples, por que é que as pessoas ainda traem ao invés de simplesmente se separarem?

Não existe uma única reposta mas, sim, muitas possibilidades. Conversamos com especialistas e pessoas que já traíram para saber o que leva as pessoas a escolherem trair, e não terminar.

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A ruptura é difícil

"Separação não é fácil para ninguém. Existe um trabalho mental árduo. Acho que é isso que faz com que as pessoas se acomodem, mesmo que seja desconfortável. É um mecanismo de repetir comportamentos", explica a psicóloga Gabriela Malzyner, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP. Para ela, muitas vezes as pessoas traem, simplesmente, porque se separar é difícil.

Foi o que aconteceu com Leonardo*, 28, que começou a trair logo que ele o namorado foram viver juntos, e alguns problemas começaram a surgir. "Eu gostava da presença dele e me prendia na esperança de que íamos conseguir voltar ao que era antes, além do orgulho de não admitir que tinha fracassado", conta.

Amor e sexo podem andar separados

Outras pessoas, porém, realmente enxergam o amor como algo desligado do sexo e, mesmo amando a pessoa com quem estão, sentem desejo por outras. "Para algumas pessoas, a monogamia funciona, para outras, não", diz a psicóloga.

Maurício*, 25, pensa assim. Apesar de ser casado, ele trai a mulher. "Na minha cabeça, prazer e amor são coisas extremamente distintas. Não vou terminar com uma pessoa que amo e tenho afeto só para buscar prazer", explica.

São desejos individuais

De maneira parecida, algumas pessoas que têm relações extraconjugais dizem que isso tem a ver apenas com uma busca individual por algo que é só seu, e não diz respeito ao par. "Às vezes, a gente fala de um desejo que está além disso, que tem a ver com uma busca interna de cada um, de expectativas, desejos", diz Gabriela.

A antropóloga Mirian Goldenberg, autora do livro "Por Que Homens e Mulheres Traem", realizou uma pesquisa sobre o tema com 1279 pessoas. Uma das justificativas mais comuns entre os homens era essa.

"Um tipo comum de homens eram os que diziam que trair era de sua natureza, algo incontrolável, que não tem nada a ver com o casamento. Às vezes, estão muito bem na relação, mas não podem trair sua natureza. Isso não quer dizer que teriam motivos para se separar", diz a especialista.

Na pesquisa, ela levantou esse ser um comportamento mais comum dos homens. Mas isso não quer dizer que mulheres não tenham desejos individuais. Luana*, 31, conta que é casada com um homem conservador que não aceita fantasias ousadas. "Eu o amo e não quero me separar, então, traio para viver minhas fantasias de sexo a três, por exemplo".

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Procurar fora o que não tem na relação

No levantamento de Mirian, as repostas de mulheres tendiam a justificar a traição pela falta de algo dentro do relacionamento. "A lista de falta das mulheres é interminável. Mas é a forma que ela encontra de justificar a traição: 'a culpa é dele' ou 'falta tanta coisa que traí para me sentir valorizada'", exemplifica.

Foi o que houve com Diane*. Namorando havia cinco meses, ela começou a sentir que seu parceiro estava ausente, sem tempo para se dedicar a ela. "Fui desabafar com um amigo, uma coisa levou a outra, e começamos a ter um caso".

Vingança

Outra resposta recorrente entre as mulheres no levantamento de Mirian Goldenberg: vingar uma traição com outra traição não é raro, como uma forma "rápida" da pessoa que se sentiu desrespeitada lidar com suas mágoas.

Foi assim que Carla*, 21, reagiu ao descobrir que seu ex-namorado estava saindo com outra havia oito meses. "Juntei todas as provas que eu tinha contra ele. Depois fui para uma festa, fiquei com um menino, tirei uma foto e mandei para ele, junto com os prints. Em seguida terminei", conta ela. Hoje, não sabe se foi a melhor atitude, mas na época ajudou com a sensação de não sair "por baixo'.

*As identidades foram preservadas a pedido dos entrevistados


 

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