Comportamento

Vibradores ao longo da história: de modelos a vapor aos produzidos em ouro

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Modelo do século 19, no Good Vibrations Antique Vibrator Museum: ajudava a relaxar músculos Imagem: Divulgação

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

18/01/2018 04h00

Criado para ajudar os médicos a se cansarem menos ao masturbarem as pacientes (como uma forma de tratamento!), o vibrador passou por várias fases. Foi vendido como eletrodoméstico no início do século passado, ficou esquecido nos anos 1950 e hoje conta com versões hi-tech e até luxuosas.

Fonte: “O Guia dos Curiosos – Sexo” (Panda Books), de Marcelo Duarte e Jairo Bouer; “O Livro Proibido do Sexo” (editora Abril), de Marcia Kedouk; e “Uma Breve História do Sexo” (editora Gaia), de Claudio Blanc.

O primeiro

O primeiro consolo de que se tem notícia na história da humanidade data de aproximadamente 30 mil anos a.C. Feito de rocha, o objeto foi encontrado em vários pedaços –pesquisadores descobriram o último, em 2005, na caverna Hohle Fels, na Alemanha. Tinha 20 centímetros de comprimento e três de espessura.

Veja também:

A vapor

Um dos modelos pioneiros, o The Manipulator funcionava a vapor. Foi criado pelo médico norte-americano George Taylor, em 1869, com fins medicinais: substituir a cansativa manipulação que os especialistas faziam em suas pacientes para curar a “histeria” –um problema feminino cujos sintomas incluíam irritabilidade, insônia, dores de cabeça, ansiedade, choro e falta de apetite. A doença, segundo relatos da época, tinha origem no útero. Portanto, a masturbação no consultório era a melhor cura possível.

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Um dos primeiros modelos com funcionamento elétrico: encarado como eletrodoméstico Imagem: Divulgação

Eletrodoméstico

Em 1880, o médico inglês Joseph Mortimer Granville inventou o vibrador movido à manivela e o modelo a vapor saiu de cena.

No comecinho do século 20, a empresa americana Hamilton Beach patenteou o primeiro vibrador elétrico e ele passou a ser vendido como eletrodoméstico, com a finalidade de massagear os músculos. Em 1917, eram bem populares: os americanos tinham mais vibradores do que torradeiras.

Uma ajudinha

Em 1899, um vibrador a bateria custava cinco dólares nos catálogos da rede de lojas de departamento Sears Roebuck. Segundo o anúncio, o produto era “uma ajuda que toda mulher aprecia”.

Só os “disfarçados”

Em 1952, a Associação Médica Americana derrubou o conceito de histeria. Com a intensa repressão sexual da década, os vibradores como objetos de prazer feminino praticamente sumiram do mercado. Apenas os aparelhos cujo formato não remetiam ao sexo permaneceram no mercado.

Sex shop

Em 1962, a alemã Beate Uhse inaugurou a primeira sex shop no mundo. Os movimentos de liberação sexual e a valorização do prazer feminino jogaram novamente os holofotes no brinquedo, tido como um fato de empoderamento das mulheres.

Objeto de museu

Há um museu dedicado exclusivamente aos vibradores. O Good Vibrations Antique Vibrator Museum fica em São Francisco, na Califórnia, nos Estados Unidos, e exibe modelos produzidos desde o século 19 até a década de 1970. A curadora é Carol Queen, sexóloga que conduz visitas guiadas ao local.

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O modelo Inez, da Lelo, é um dos mais luxuosos da atualidade; produzido com ouro 24 quilates cerca de R$ 50 mil Imagem: Divulgação

Nas telonas

Dirigida por Tanya Wexler e com Rupert Everett e Maggie Gyllenhaal no elenco, a comédia romântica “Histeria” (2011) se passa na Londres do século 19 e conta a história da criação do vibrador.

Mercado aquecido

Apenas nos Estados Unidos, a indústria de vibradores movimenta cerca de US$ 1 bilhão por ano.

Querido pela maioria

Segundo um estudo de 2009, publicado pelo “Journal of Sexual Medicine”, 52% das mulheres afirmam usar ou já terem usado vibradores na prática sexual.

O preferido de Carrie e companhia

Popularizado pelo seriado “Sex and the City”, levado ao ar entre 1998 e 2004, o modelo rotatório Jack Rabitt até hoje é um dos mais procurados nos quatro cantos do planeta. Hoje há versões com mais de 30 tipos de vibração.

Tecnologia a serviço do prazer

Todos os anos são lançados vibradores em novos formatos, materiais, funções, tecnologias. Alguns ganham prêmios de design e poderiam facilmente passar por objeto de decoração em qualquer sala. Outros são de ouro ou cravejados com cristais Swarovski. Existem os modelos para casais, em formato de U ou embutidos em anéis penianos. Pilha e bateria? Os mais modernos são carregados por USB.

Aliado da saúde feminina

Segundo pesquisas conduzidas por Mary Jane Minkin, professora de obstetrícia, ginecologia e ciências reprodutivas da Universidade de Medicina de Yale, nos Estados Unidos, o uso frequente do acessório aumenta o fluxo sanguíneo e a lubrificação da vagina, diminuindo a atrofia vaginal e outros sintomas típicos da menopausa. E mais: o sexo solo atua na depressão, na insônia e na dor de cabeça (é um analgésico poderoso!), além de prevenir o câncer de colo do útero.

Fontes de inspiração

A criação de um vibrador pode demorar até dois anos e envolve vários especialistas: designers, engenheiros e ginecologistas, entre outros profissionais. As equipes analisam não só o repertório atual de brinquedos como busca inspiração em outros tipos de produto. O resgate do passado também é comum: em muitos casos, o desenvolvimento de um vibrador teve como ponto de partida uma ferramenta ou um eletrodoméstico.

Nada de realismo

Segundo os fabricantes, a maior parte das consumidoras rejeita os do tipo realístico, que imitam até as veias e curvas do pênis. A preferência recai sobre modelos sofisticados, com textura macia e formatos simples, como os da marca sueca Lelo.

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