Sexo

O sexo na Idade Média não era tão animado quanto mostra 'Deus Salve o Rei'

Reprodução/Instagram
O sexy mergulho no lago de Catarina (Bruna Marquezine) e Constantino (José Fidalgo), em "Deus Salve o Rei" Imagem: Reprodução/Instagram

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

22/01/2018 04h00

Logo nos primeiros capítulos, com os beijos apaixonados entre Amália (Marina Ruy Barbosa) e Afonso (Rômulo Estrela) e o banho sexy no lago de Catarina (Bruna Marquezine) e Constantino (José Fildalgo), “Deus Salve o Rei”, nova novela das 19h da Globo, mostrou que queria usar o romantismo e a sensualidade para prender os espectadores na frente da TV.

Mas a época em que se passa a trama do autor Daniel Adjafre, a Idade Média, por volta de 1300, foi bem menos animada quando o assunto é amor e sexo, pelo menos no Ocidente. Confira algumas informações curiosas a seguir.

Reprodução/Instagram/marinaruybarbosa
O clima quente entre Amália (Marina) e Afonso (Estrela) Imagem: Reprodução/Instagram/marinaruybarbosa
Nada de decote

Para começar, os looks decotados revelando a curva dos seios que destacam a personalidade ousada da princesa (Bruna Marquezine) são uma licença poética dos figurinistas da novela. Na Idade Média, as mulheres usavam túnicas que mostravam apenas o pescoço –e, por baixo delas, uma camisa de linho de mangas curtas.

Lenço como forma de paquera

No século 12, surgiu o chamado “amor cortês”: uma paquera em que o cavaleiro pegava o lenço da moça como prova de amor. Um amor condenado à infelicidade, já que a maioria dos casórios acontecia via acordos econômicos e dificilmente a atração mútua combinava com os bolsos.

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Casamento às escuras

Assim como aconteceu com Rodolfo (Johnny Massaro) e Lucrécia (Tatá Werneck), muitos casais arranjados só se viam ao vivo e em cores no dia da cerimônia. Retratos pintados a óleo serviam para matar a curiosidade, mas nem sempre correspondiam à realidade.

Mulheres libidinosas

O furor uterino de Lucrécia, de fato, tem a ver com os preceitos da Idade Média. As mulheres eram tidas como mais lascivas e libidinosas do que os homens, considerados racionais e mais espirituais. A ideia geral era de que elas precisavam mais de sexo do que eles.

Influência da Igreja

A influência da Igreja Católica regia ou, pelo menos, tentava controlar a conduta das pessoas entre quatro paredes. Qualquer coisa relacionada ao sexo era tida como pecado –a não ser para fins de procriação.

Só podia Papai e Mamãe

Os casais –casados, vale ressaltar– tinham permissão para praticar apenas uma posição: a missionária (atual Papai e Mamãe). A posição era apropriada porque a mulher sempre devia se submeter ao marido. Outras posições remetiam ao lado animal dos homens. Diziam que as crianças nascidas com malformações haviam sido concebidas por meio de posições não “naturais”.

Lençol com furo no meio

Em alguns lares medievais, o pudor e o recado eram tão ferrenhos que os corpos do casal mal se encostavam durante a transa. Marido e mulher faziam sexo com um lençol com um estratégico furo no meio.

Prostitutas pagavam pedágio à Igreja

Em tempos de paradoxos e hipocrisias, já que os homens não podiam ter prazer com as próprias mulheres, havia bastante procura por profissionais do sexo. Mesmo malvistas pela sociedade e pela Igreja, as prostitutas eram consideradas um “mal necessário” e tinham de doar metade de seus ganhos ao clero.

Faça o que digo, não o que faço

Ah, sim, membros do clero eram frequentadores assíduos dos bordéis, especialmente na França. E muitos viviam relações estáveis com prostitutas, como se fossem marido e mulher.

Restrições, muitas restrições

A fornicação (sexo por prazer) e o adultério, segundo um documento escrito por São Tomás de Aquino, entre 1265 e 1273, eram tidos como pecados contra a razão. Já os pecados contra a natureza incluíam a masturbação, sexo com animais, homossexualismo e coito em orifícios “não naturais”, ou seja, boca e ânus. No último caso, a norma valia inclusive para maridos e mulheres.

De roupa, até no banho

Para desencorajar as pessoas (em especial, os jovens) de se masturbarem, vários mitos permearam a Idade Média. Os meninos que se dedicavam ao prazer solitário corriam o risco de ter espinhas e calos nas mãos. Já as meninas que se tocavam poderiam estar transando com Satã ou sob o feitiço de alguma bruxa. De tão apavoradas, as pessoas tomavam banho vestidas.

O preço da virgindade

Antes da Idade Média, a virgindade não era tão valorizada. Com o surgimento dos casamentos via acordos econômicos e pagamentos de dotes, a honra das donzelas passou a ser encarada como uma “mercadoria”.

Homossexuais na fogueira

Gays que não fossem da realeza (certas leis nunca se aplicavam aos nobres ou aos sacerdotes) e fossem pegos em flagrante podiam ser condenados a morrer na fogueira.

Muitos senões para o sexo

O ato sexual era proibido se a mulher estivesse menstruada, amamentando ou grávida. E, entre outras circunstâncias tão bizarras quanto, na Quaresma, na Páscoa, aos domingos, às quartas-feiras, às sextas-feiras e aos sábados, segundo a Igreja.

Camisinha feita de intestino de animais

Gestações indesejadas eram evitadas com preservativos produzidos com o intestino de animais. Muitas mulheres também ficavam pulando depois da transa para tentar tirar o esperma do corpo. Chás, beberagens e poções abortivas eram comuns.

Marido sem vez na noite de núpcias

Durante um tempo, uma lei pregava que o senhor do feudo onde o casamento se realizava tinha o direito de passar a noite de núpcias com a noiva.

Liberação para o estupro

Havia, ainda, uma lei que permitia que os nobres estuprassem as camponesas se o desejo deles fosse irrefreável.

Já no Oriente...

Enquanto o conservadorismo rolava solto na Europa, no Oriente, a galera literalmente deitava e rolava nas artes do amor. Foi entre 1410 e 1413 que o xeque Nefzawi escreveu “O Jardim Perfumado do Deleite Sensual”, um tratado poético, divertido e rico em detalhes sobre o sexo.

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