Comportamento

Spacey, Weinstein, Toback: Entenda os casos de abuso que abalaram Hollywood

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"Eu também": Estas celebridades contaram suas histórias de abuso e assédio sexual na indústria do entretenimento Imagem: Getty Images/UOL

Mariana Araújo

do UOL, em São Paulo

01/11/2017 15h51

Violência sexual em Hollywood não é novidade. Da era de ouro à década de 2010, casos de assédio e abuso por parte de executivos, produtores e atores se tornaram públicos com uma certa periodicidade; porém frequentemente tratados como indiscrições ou horrores pontuais.

O diretor Roman Polanski vive como fugitivo na França desde 1978 após ser condenado pela justiça americana por drogar e estuprar uma garota de 13 anos. A divulgação do crime e a decisão do juiz não impediram que ele continuasse uma carreira produtiva — e vencesse dois Oscar de Melhor Diretor — depois disso. Desde 2014, o comediante Bill Cosby já foi acusado de abuso por 48 mulheres e está preso, mas o processo jamais provocou tanta comoção e discussão quanto o que tomou as manchetes no último mês.

O que mudou em 2017? Desde o surgimento das histórias de mulheres agredidas pelo produtor Harvey Weinstein em outubro, atrizes, atores e ativistas questionam pela primeira vez o status quo e em que proporção estes comportamentos são considerados normais dentro do cinema e da tevê americanos. Além disso, sobreviventes de assédio no mundo todo iniciaram uma conversa, através das redes sociais, sobre o estigma, o silêncio e a vergonha diante de uma forma de violência que se tornou cotidiana.

Veja também

Os acusados

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James Toback, Harvey Weinstein e Kevin Spacey: os agressores no centro do escândalo sexual em Hollywood Imagem: Getty Images/UOL

Depois que uma matéria do jornal "The New York Times" revelou em 5 de outubro que o produtor Harvey Weinstein (centro), uma das figuras mais poderosas e influentes de Hollywood com seis Oscar de Melhor Filme no bolso — entre eles, "Pulp Fiction" e "Gênio Indomável" —, pagou pelo silêncio de suas vítimas por mais de duas décadas, outras mulheres de destaque resolveram contar suas histórias. (Veja mais a seguir).

A discussão que tomou conta das redes sociais reverberou novamente no meio e, no dia 22, uma reportagem do jornal "Los Angeles Times" revelou depoimentos de 38 mulheres agredidas pelo diretor e roteirista James Toback (à esquerda), de "O Apostador" e "Tyson", durante reuniões de trabalho. 

Ambos negaram as acusações. Enquanto Harvey disse que "tem lembranças diferentes dos acontecimentos" daquelas de uma das mulheres que o acusa, Lupita Nyong'o; James Toback desqualificou a denúncia de Selma Blair ao dizer que se tratava de "mentiras patéticas". Ela afirma que ele chegou a ameaçá-la de morte.

No dia 29, foi a vez do vencedor do Oscar Kevin Spacey (à direita) ser acusado publicamente de violência sexual pelo ator Anthony Rapp, que tinha apenas 14 anos à época. Em uma festa na casa de Kevin, o ator teria levado Anthony para a sua cama e tentado fazer sexo com ele. O intérprete de Frank Underwood, de "House of Cards", disse no Twitter que não se lembrava do ocorrido, pediu desculpas e aproveitou para se assumir gay, uma revelação que taxada por críticos de oportunista e prejudicial à comunidade LGBT. 

E eles não estão sozinhos: Dustin Hoffmann foi acusado de assediar a escritora Anna Graham Huntes quando ela tinha 17 anos em um set; Björk relembrou na última semana o assédio sofrido por ela no set de "Dançando no Escuro" pelo diretor Lars Von Trier e Hilarie Burton disse, no Twitter, não ter esquecido que Ben Affleck a apalpou em um programa da MTV nos anos 2000.

Seu irmão, Casey, aliás, é o alvo de uma petição iniciada pelo diretor Cameron Bossert para que seja removido da cerimônia do Oscar 2018 justamente por conta da denúncia de abuso sexual feita pela produtora Amanda White em 2010. Ela trabalhou com o vencedor do Oscar de Melhor Ator deste ano em "Eu Ainda Estou Aqui", em 2008.

    As vítimas

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    Rachel McAdams; Cara Delevingne; Gwyneth Paltrow; Julianne Moore; Angelina Jolie; Lupita Nyong'o; Léa Seydoux; Anthony Rapp; Lena Headey e Caterina Scorsone: alguns dos sobreviventes de violência sexual no cinema e na tevê americanos Imagem: Getty Images/UOL

    Além de Rapp (ao centro, segunda fileira), conhecido pelo seu trabalho na franquia "Star Trek" e pelas performances na Broadway, Kevin Spacey também foi acusado de assédio sexual pelo documentarista Tony Montana. Até então, eles são os dois únicos alvos de agressão do sexo masculino conhecidos pelo grande público.

    Por sua vez, a lista de mulheres influentes que já se viu em situação semelhante nas mãos dos executivos é extensa. Entre as sobreviventes de assédio ou abuso por parte de Harvey Weinstein estão Ashley Judd, Rose McGowan, Cara DelevingneAngelina Jolie, Lupita Nyong'o, Léa Seydoux, Lena Headey, além de Gwyneth Paltrow.

    A atriz foi convidada por ele para uma reunião em um quarto de hotel onde ele a tocou e pediu massagens. Na época namorada de Brad Pitt, Gwyneth teria contado ao ator que "ficou petrificada". Brad reagiu confrontando Harvey a respeito da situação. O produtor, mais tarde, a avisou que se ela contasse a mais alguém, encerraria seu contrato.

    Uma lista compilada pelas próprias vítimas e postada pela atriz Asia Argento indica, até o momento, que Harvey Weinstein tenha agredido sexualmente 82 mulheres dentro da indústria

    Rachel McAdams, Julianne Moore e Caterina Scorsone contaram suas histórias a respeito de James Toback. Caterina, que havia compartilhado um artigo escrito por ela na adolescência (época do ataque) em que não nomeava o agressor, fez um novo post em seu Instagram apontando o diretor como responsável. A atriz de "Grey's Anatomy" contou ainda que chegou a abandonar a carreira temporariamente por causa do episódio.

    Desde então, outras atrizes como Reese Witherspoon, Blake Lively e Jennifer Lawrence dividiram suas experiências de violência sexual em ambiente profissional. Para conhecer suas histórias, clique aqui.

      O que as denúncias significaram para a indústria — e para o mundo 

      Desde o primeiro escândalo sexual, Harvey Weinstein foi demitido da própria empresa, a "The Weinstein Company" — que já havia perdido alguns colaboradores, como o ator Channing Tatum. Ele disse se recusar a produzir um filme com a empresa. O PGA (Producer's Guild of America), sindicato da categoria, expulsou Harvey para sempre de sua lista de membros e a polícia de Beverly Hills está investigando o executivo.

      Além disso, sua até então mulher, Georgina Chapman, pediu o divórcio. O fato de as denúncias terem gerado, pela primeira vez, algum impacto na carreira do agressor e na conversa a respeito do tema mundialmente fez com que a imprensa internacional batizasse o fenômeno de "Harvey Weinstein Effect" (Efeito Harvey Weinstein, em tradução livre). 

      Desde a primeira denúncia, a lista de mulheres agredidas por James Toback atingiu 300 nomes e, hoje, ele também é investigado pela polícia de Beverly Hills.

      Já Kevin Spacey experimentou uma repercussão mais imediata de seu caso: o ator teve a produção de sua série, "House of Cards", suspensa indefinidamente pela Netflix "para dar tempo de rever a situação e lidar com quaisquer preocupações que nosso elenco e equipe tenham", explicou a empresa em um comunicado. 

      No mesmo texto, que também reflete a posição da produtora parceira na série Media Rights Capital, afirma-se que os executivos ficaram "profundamente perturbados" pela notícia e que eles garantem que Kevin Spacey não estava presente nos sets nos últimos dias. O Emmy Internacional também retirou o prêmio pelas suas conquistas da carreira, que seria entregue no dia 20 de novembro. 

      Na sociedade civil, os casos deram início ao movimento #MeToo que tomou as redes sociais com relatos de homens e mulheres, principalmente, que sofreram violência sexual. Com mais de 5 milhões de posts em 24 horas, a hashtag potencializou a discussão sobre a necessidade de erradicar este tipo de comportamento, seja através de educação ou de punição para os agressores. 

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